Narrando a história de uma das principais ativistas trans da história LGBTI+ no Brasil, o musical Brenda Lee e o Palácio das Princesas” estreou na última semana e segue com sessões online todos os dias no canal do Núcleo Experimental, sempre a partir das 21h e com o espetáculo disponível até a meia-noite. A protagonista é vivida por Verônica Valenttino, que em episódio recente do nosso programa de rádio/podcast Antena Híbrida revelou detalhes sobre a impmortância da montagem.

É um projeto que fala de representatividade trans, mas também de proporcionalidade trans – que é importantíssimo de estarmos discutindo hoje, porque não basta somente uma. É preciso […] que a gente consiga cada vez mais estar nos lugares, ocupando esses espaços com nossos corpos, nossa arte, nossa música, nosso teatro”, disse.

Verônica lidera um time de seis atrizes travestis e transexuais que compõem o “Palácio das Princesas”, como era conhecido o abrigo que Brenda Lee criou em 1984 para acolher pessoas soropositivas em São Paulo, com foco na população trans. Além dela, estão no elenco Marina Mathey (Cinthia Minelli), Ambrosia (Isabelle Labete), Tyller Antunes (Ariella del Mare), Olivia Lopes (Raíssa), June Weymar (Blanche de Niège) e Fábio Redkowicz. A direção geral é de Zé Henrique de Paula.

Na história, acompanhamos a trajetória de Brenda como o “anjo da guarda de travestis” que ajudou a acolher e cuidar das pessoas infectadas pelo HIV, incluindo homossexuais que eram expulsos de casa e não conseguiam tratamento pelo SUS. Fernanda Maia assina tanto a dramaturgia quanto as letras e direção musical do espetáculo.

Hoje a gente tem acesso às políticas públicas para a distribuição gratuita de remédios pelo SUS e isso aconteceu graças a essa grande mulher”, refletiu Verônica sobre o legado de Brenda. “É muito importante hoje, em 2021, a gente estar honrando essa travesti incrível, essa guerreira, nesse espetáculo”, completou. 

Produzido por Fernanda e Rafa Miranda, que também é responsável pelas músicas e pela trilha original, o espetáculo foi idealizado como um musical presencial e, posteriormente, readaptado para o audiovisual devido à pandemia do coronavírus. “A sensação que a gente tem quando faz um trabalho tão lindo, que honra a nossa trancestralidade, é que todo mundo precisa ter esse acesso, essa informação e a nossa luta tem que chegar ao maior número de pessoas possíveis”, refletiu Verônica sobre a importância do musical. 

Brenda Lee e o Palácio das Princesas será exibido até 24 de novembro. Para assistir, basta clicar aqui. Abaixo, escute nossa entrevista completa com Verônica: