Quase 25 anos após sua morte, Cazuza segue mais vivo do que nunca no imaginário brasileiro. E a partir de 12 de junho, fãs e admiradores do cantor terão a chance de reviver sua trajetória marcante com CAZUZA EXAGERADO, uma exposição imersiva e inédita que estreia no Rio de Janeiro, onde o poeta viveu e fez seu nome pela Zona Sul.
A mostra, ocupará mais de 1.500 metros quadrados do terraço Shopping Leblon, promete ser a mais abrangente já realizada sobre o artista, reunindo diferentes fases de sua vida e carreira. Trata-se de uma experiência sensorial que convida o público a mergulhar na contribuição única de Cazuza para a música, a poesia e a cultura brasileira. Ícone dos anos 1980, o cantor, compositor e poeta teve sua vida interrompida precocemente, aos 32 anos, mas seu legado permanece pulsante.
Com curadoria de Ramon Nunes Mello, CAZUZA EXAGERADO será dividida em nove salas temáticas que percorrem desde a infância do artista até o sucesso estrondoso com o Barão Vermelho e a consagrada carreira solo. O público poderá conferir de perto figurinos, objetos pessoais, manuscritos de letras e poemas, cartas íntimas, desenhos, documentos raros e um extenso acervo audiovisual.

A exposição também destaca o engajamento político e social de Cazuza, abordando temas como o amor livre, a luta por liberdade e a resistência ao preconceito — em especial sua postura corajosa diante da Aids, que marcou os últimos anos de sua vida.
Entre os destaques, estão depoimentos de grandes nomes da cultura brasileira como Caetano Veloso, Caio Fernando Abreu, Frejat, Gilberto Gil, Ney Matogrosso e Fernanda Montenegro, todos profundamente impactados pela arte e ousadia do artista.
A pré-venda de ingressos começou no dia 19 de maio para clientes dos cartões Bradesco, Bradescard, next e Digio, e estará disponível ao público geral a partir de 26 de maio pelo site oficial da exposição.
Legado de Cazuza segue vivo
Além da mostra CAZUZA EXAGERADO, a vida e a obra do artista também ganharam novas dimensões no campo editorial. No ano passado, a Editora WMF Martins Fontes lançou dois livros inéditos que aprofundam o mergulho na trajetória do poeta do rock brasileiro.
O primeiro deles, Meu Lance é Poesia, reúne 238 poemas escritos por Cazuza entre 1975 e 1989. Organizado por Ramon Nunes Mello, responsável pela exposição, o livro apresenta textos que revelam o lado mais íntimo e literário do artista — alguns deles serviram de base para canções icônicas como “Um Dia na Vida”, “Exagerado”, “Ideologia” e “Eu Queria Ter Uma Bomba”.
Já Protegi Teu Nome por Amor é uma fotobiografia com curadoria de Nunes Mello em parceria com Lucinha Araújo, mãe do cantor. Com prefácio de Gilberto Gil e um texto de Pedro Bial na contracapa, a obra reúne mais de 700 imagens — muitas delas inéditas — que retratam momentos pessoais e profissionais de Cazuza, traçando um painel afetivo e poderoso de sua trajetória.
Em entrevista à Rolling Stone, Lucinha Araújo revelou ainda o desejo de lançar um álbum com músicas inéditas de Cazuza interpretadas por Jão. O cantor tem homenageado o legado do poeta em seus shows, interpretando algumas de suas músicas mais emblemáticas.
“Não tem pessoa melhor indicada do que ele. Ele conhece a obra do Cazuza toda. Eu até gostaria que ele gravasse… Ele está querendo gravar um disco só com músicas inéditas do Cazuza. Quem sabe a gente consegue isso, não é? Se for da minha vontade e da dele, vai acontecer”, disse Lucinha à publicação. Ela ainda revelou que ainda guarda cerca de 30 músicas e poemas inéditos do filho.
Cazuza e Ney no cinema
Neste ano, Cazuza também foi lembrado nas telas através da cinebiografia Homem com H, sobre Ney Matogrosso. O filme retrata momentos íntimos entre os dois artistas, desde o primeiro flerte na Praia do Arpoador até a troca criativa intensa e a relação marcada por afeto, desejo, conflitos e a sombra da epidemia de HIV/Aids.
“Homem com H” segue em cartaz nos cinemas brasileiros. Leia nossa crítica aqui.