Ney Matogrosso subiu ao palco do Jockey Club, na Gávea, zona sul do Rio, às 20h45 deste sábado (27) para fechar com glória a segunda noite do Doce Maravilha, festival de música brasileira idealizado pelo jornalista Nelson Motta. Com a promessa de promover encontros inusitados e inesquecíveis, o evento entregou exatamente isso ao casar o camaleão da MPB com Marisa Monte, em uma dobradinha com duas das vozes mais potentes e marcantes do repertório brasileiro.
Ao longo de 1h30, Ney apresentou o repertório do show “Bloco na Rua”, que apesar de já estar rodando o Brasil há um bom tempo e ter se desdobrado há cinco anos em um disco ao vivo, ainda rende um espetáculo capaz de cativar e engajar o público do Doce Maravilha, com toda a sua amplitude etária. Claro, nesse sentido algumas músicas empolgaram mais que outras e o coro no refrão de “Pavão Misterioso” não se compara ao de “Yolanda”, mas Ney segura a peteca com a mesma animação em ambas as ocasiões, com os quadris balançando, a voz vibrante e o peito peludo descoberto arrancando gritos de “gostoso” e “lindo” da plateia.

Marisa Monte subiu ao palco às quase 21h30. Com um vestido prateado fazendo par com o collant dourado de Ney, eles começaram o set com “Fala” e já emendaram um dos momentos mais românticos da noite com uma versão de “O Leãozinho”.
A noite continuou com duetos marcantes entre a dupla. Em “Balada do Louco”, eles alternavam a voz principal enquanto o outro fazia acrobacias vocais ao fundo, numa parceria angelical. A surpresa vem com “Na rua, na chuva, na fazenda”, imortalizada com o Kid Abelha e com direito a mãozinha pro alto.
Em um vídeo dos ensaios para esta semana, Ney comentou como Marisa é a única que lhe dá disposição para cantar “O Vira”. “Só com ela que eu faço. Só você tem esse poder”, disse. Ao vivo, o momento foi ainda mais especial e fez o público ficar virando de um lado pro outro.
Ney Matogrosso e Marisa Monte (@marisamonte) fizeram história hoje com uma rara apresentação de “O Vira” no #DoceMaravilha, com direito a bis no fim 🥹🤏🏼💜 pic.twitter.com/n1YNPq0knu
— Revista Híbrida 🏳️🌈 (@hibridamagazine) September 28, 2025
A apresentação terminou com uma versão eletrizante de “Pro dia nascer feliz” e um bis de “O Vira”, improvisado, a pedido da plateia e atendido pela dupla. “Eu amo democracia”, disse Marisa Monte, quase que respondendo os gritos tímidos de “Sem anistia!” que pipocaram mais cedo.
Emocionando as diferentes gerações na plateia, o show na 3ª edição do Doce Maravilha foi provou-se mais um passo importante na solidificação do status de Ney Matogrosso como lenda viva entre o público jovem, pelo menos neste ano de 2025. Não que a essa altura ele ainda precise de qualquer tipo de validação, mas é inegável que o sucesso de Homem com H nos cinemas e no streaming serviu para dar um sangue (latino) novo entre os milhões de fãs que já admiravam e acompanhavam há décadas a carreira de um dos maiores nomes da nossa música.