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Marcha do Orgulho Trans de SP é cancelada após 8 edições

Marcha do Orgulho Trans de São Paulo é cancelada após 8 edições (Foto: Jose Cordeiro | SPTuris)

A Marcha do Orgulho Trans de São Paulo chegou ao fim após 8 edições no centro de São Paulo. A informação foi anunciada na segunda-feira (1º) pelo Instituto [SSEX BBOX], responsável pela produção do evento desde sua criação. Nesta terça-feira (2), a organização informou que está trabalhando com outros entes interessados em assumir a marcha para a edição de 2027.

Criada em 2018, a Marcha ajudou a ampliar a visibilidade de pessoas trans, travestis e não-bináries em um contexto marcado pela exclusão social, violência e dificuldade de acesso a direitos básicos. Ao longo de sua trajetória, o evento reuniu milhares de participantes nas ruas da capital paulista e se tornou um espaço de articulação política, celebração cultural e fortalecimento comunitário.

Em comunicado oficial, o Instituto afirma que a decisão reflete as transformações vividas tanto pela organização quanto pela própria comunidade trans ao longo da última década. Segundo a entidade, o cenário atual conta com uma diversidade maior de iniciativas lideradas por pessoas trans, capazes de ocupar diferentes espaços de mobilização e representação.

Mais do que um encerramento, a instituição define a mudança como um processo de transição. O objetivo é abrir espaço para novas lideranças e organizações interessadas em assumir a condução da Marcha nos próximos anos. Para isso, o Instituto disponibilizou um formulário de inscrição voltado a entidades parceiras que desejem dar continuidade ao projeto.

O formulário está disponível aqui.

"Crianças Trans Existem", diz letreiro na 5ª Marcha do Orgulho Trans de São Paulo (Foto: Rafael Monteiro | Revista Híbrida)
“Crianças Trans Existem”, diz letreiro na 5ª Marcha do Orgulho Trans de São Paulo (Foto: Rafael Monteiro | Revista Híbrida)

Marcha do Orgulho Trans: relevância política e cultural

Embora manifestações e atos em defesa da população trans já acontecessem anteriormente em diferentes cidades brasileiras, a Marcha do Orgulho Trans de São Paulo foi pioneira ao se estabelecer como um evento anual estruturado, com programação contínua e articulação institucional permanente, além da presença de importantes figuras dos movimentos sociais, da política e da cultura.

Ao longo dos anos, a iniciativa expandiu sua atuação para além da manifestação de rua, incorporando debates sobre empregabilidade, educação, direitos humanos, saúde, cultura e inclusão social. A programação paralela também contribuiu para ampliar oportunidades profissionais para pessoas trans e fortalecer redes de apoio em todo o país.

Nomes como Erika Hilton, Linn da Quebrada, Pepita e Nany People já participaram da Marcha, além de atrações internacionais, como Angelica Ross, que conversou exclusivamente com a Híbrida durante sua passagem por São Paulo, em 2022.

Abaixo, confira a nota completa do Instituto sobre o fim da Marcha do Orgulho Trans:

“O Instituto [SSEX BBOX] anuncia a conclusão da Marcha do Orgulho Trans de São Paulo em 2026.

O Instituto [SSEX BBOX] informa que deixará de organizar a Marcha do Orgulho Trans de São Paulo. Esta decisão marca a conclusão de nove anos de desenvolvimento contínuo de uma iniciativa que se tornou referência nacional na promoção da visibilidade, articulação política e celebração das existências trans, travestis e não-binárias.

Embora outras iniciativas já tenham acontecido anteriormente sob diferentes formatos e nomes, o Instituto [SSEX BBOX] tem imenso orgulho de ter iniciado a primeira Marcha do Orgulho Trans do Brasil estruturada de maneira contínua e institucionalizada. Desde sua criação, em 2018, a Marcha e sua programação ampliada reuniram milhares de pessoas nas ruas de São Paulo e contribuíram para ampliar discussões sobre pertencimento, empregabilidade, cultura, direitos humanos e acesso à dignidade para pessoas trans e travestis. A Marcha também gerou inúmeras oportunidades concretas de inclusão profissional, fortaleceu redes de apoio e ampliou a presença de pessoas trans em espaços culturais e institucionais historicamente inacessíveis.

Ao longo de sua trajetória, o Instituto [SSEX BBOX] liderou a concepção, produção e expansão deste projeto, promovendo conexões entre coletivos, artistas, lideranças, organizações e iniciativas comprometidas com a transformação social. Organizar um evento desta dimensão com continuidade e crescimento exige enorme paixão e dedicação. Esse trabalho foi sustentado por uma equipe comprometida e extraordinária, que investiu energia incansável, visão e recursos em torno de um propósito comum: celebrar e impulsionar a diversidade, excelência e inclusão trans.

Durante esta jornada, o Instituto enfrentou desafios estruturais, institucionais e políticos inerentes ao ecossistema de todos os movimentos sociais. Ainda assim, manteve seu compromisso com a continuidade do projeto, priorizando o diálogo, a construção coletiva e a preservação da integridade da iniciativa.

A decisão de não mais organizar a Marcha do Orgulho Trans de São Paulo representa um momento decisivo de transformação para a instituição. O cenário da comunidade trans mudou significativamente nos últimos nove anos — e suas necessidades e desejos, assim como os do Instituto [SSEX BBOX], também evoluíram. Se antes a Marcha ocupava um lugar central e impulsionador, hoje ela coexistem com diversos outros eventos liderados por pessoas trans, igualmente potentes na celebração da nossa comunidade em toda a sua diversidade.

A transição é inerente à vida. Aprender a caminhar junto dela talvez seja uma das tarefas mais urgentes do nosso tempo. Embora este evento não continue, seguimos comprometidos com as comunidades trans, travestis e não-binárias. Esta decisão surge de uma posição consciente e responsável: criar espaço para o surgimento de novas lideranças e fortalecer a organização em seus próximos passos de atuação, com o objetivo de preservar a potência política e simbólica construída ao longo destes anos, assim como a integridade da iniciativa, de sua equipe, liderança e legado.

Ao mesmo tempo, o Instituto observa com preocupação o cenário global e nacional marcado por retrocessos e pela intensificação das violências direcionadas às populações trans, travestis e não-binárias. Esse contexto reforça a urgência de defender direitos, ampliar políticas de proteção e sustentar mobilizações coletivas em torno da garantia de dignidade, segurança e cidadania para essas comunidades.

Mais do que um encerramento da Marcha em si, esta decisão é um convite direto para que outras organizações assumam a liderança da Marcha Trans de São Paulo. Estamos disponibilizado um formulário de inscrição para instituições parceiras interessadas em assumir a liderança da Marcha. Estamos animados para apoiar essa transição e testemunhar como essa oportunidade de liderança e expressão poderá ser acolhida pela comunidade, enquanto o Instituto [SSEX BBOX] direciona sua atenção, energia e entusiasmo para novos horizontes.

O Instituto [SSEX BBOX] segue comprometido com o desenvolvimento de novos projetos, formatos e ações conectados às urgências e complexidades do presente. Também reconhece a importância histórica da Marcha do Orgulho Trans de São Paulo, assim como a possibilidade do surgimento de novos caminhos e lideranças a partir deste ponto dentro de um ecossistema diverso. O Instituto agradece publicamente a todas as pessoas, coletivos, artistas, equipes, parceiros e apoiadores que contribuíram para a construção da Marcha ao longo destes anos — e especialmente à equipe que guiou com coragem tanto a evolução da Marcha quanto agora sua fase de transição. O Instituto [SSEX BBOX] reafirma que seu trabalho continua em movimento, transformação e compromisso com a defesa da vida, da dignidade e dos direitos das populações trans, travestis e não-binárias, e promete a continuidade de seu trabalho transformador em direção a futuros liderados por pessoas trans.”

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