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Drag & Ativismo: 40 anos das Irmãs da Indulgência Perpétua

Irmãs da Indulgência Perpétua

O bairro do Castro, em São Francisco , ficou conhecido como um importante reduto homossexual desde os anos 1960. Com a abertura de bares e comércio voltados para homens gays, milhares de turistas LGBTs passaram a se mudar para a cidade, alterando sua configuração sociocultural e possibilitando a eleição de Harvey Milk, o primeiro homem abertamente gay para um cargo público em toda a Califórnia.

Foi na Rua Castro, em 1979, que as Sisters of Perpetual Indulgence  (ou Irmãs da Indulgência Perpétua, em português) saíram a público pela primeira vez, em um domingo de Páscoa. O grupo de homens gays vestidos como uma mistura de freiras e drag queens tinha como objetivo questionar e confrontar o padrão viril e masculinizado da comunidade que havia se estabelecido no bairro.

Seus hábitos religiosos e a maquiagem carregada confrontava as jaquetas de couro e os longos bigodes que os homens gays da época cultivavam orgulhosamente por São Francisco. A atuação das Irmãs, entretanto, foi muito além de uma simples provocação dos costumes.

As Irmãs da Indulgência Perpétua distribuindo camisinhas douradas durante o carnaval de Nova Orleans, em 1987 (Foto: Bettmann | Getty Images)
As Irmãs da Indulgência Perpétua distribuindo camisinhas douradas durante o carnaval de Nova Orleans, em 1987 (Foto: Bettmann | Getty Images)

A trupe se define como “uma Ordem especializada de freiras queer que dedicam suas vidas à sua comunidade”. Agora, 40 anos após sua primeira aparição, essa definição parece completamente contextualizada, considerando o engajamento do grupo em manifestações, protestos e no ativismo pela defesa e promoção da diversidade sexual nos Estados Unidos.

As Irmãs participam historicamente de ações voltadas para a educação e conscientização sobre questões ligadas ao HIV/AIDS. Em 1982, no auge da epidemia do vírus nos EUA, elas foram pioneiras ao criar um material educacional para sua prevenção, com linguagem coloquial e humorada, informando sobre questões de saúde sexual.

Uma das Irmãs durante a Parada do Orgulho LGBT de Seattle, em 1995 (Foto: Reprodução)

Ainda hoje, o grupo participa dessas campanhas, edita o material e distribui preservativos em eventos dirigidos ao público LGBTI+. Com o passar dos anos, diversos integrantes da trupe faleceram durante a crise, sendo chamadas atualmente de “as Irmãs lá de cima”.

A cada década, as Freiras se reúnem ao redor de um tema em comum para protestar, conscientizar e celebrar com toda a comunidade. Neste aniversário de 40 anos, completados em 21 de abril, o grupo tem debatido sobre os direitos de pessoas transgêneras e imigrantes, assim como a criminalização da homossexualidade em países como Brunei.

Irmã Ida durante a Marcha das Mulheres deste ano, em São Diego (Foto: Daniel Knighton | Getty Images)

Ainda hoje,  as Irmãs da Indulgência Perpétua mantêm um legado de promoção e respeito aos direitos humanos e à diversidade sexual e de gênero. Agora, espalhadas ao redor do mundo, elas fundaram as bases para um novo momento da história queer, em um movimento tão transgressor quanto ecumênico. Preach!

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