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TEATRO

Peça sobre a relação de mãe lésbica e filho trans estreia no Rio

Sarah Cintra e Felipe Maia em "Por que não cantando?" (Foto: Ana Alexandrino)

Em celebração ao Dia Internacional da Visibilidade Trans, Laura Cardoso vai levar para o palco do Rio de Janeiro a peça Por que não cantando?mais de 10 anos após a estreia de Aos nossos filhos, montagem de sua autoria que abordou questões intergeracionais e familiares com forte temática LGBTQIA+ e que foi adaptada para o cinema em 2022.

Protagonizada por Sarah Cintra e Felipe Maia, com direção de João das Neves, a obra conta a história de Tânia (Cintra), uma mulher que, apesar de ter enfrentado discriminação ao se assumir lésbica no passado, acaba repetindo os mesmos julgamentos que sofreu com seu filho trans, Davi (Maia).

Filho e mãe na vida real, as vivências de Maia durante sua transição e a relação com Cintra acrescentaram um peso ainda maior à dramaturgia. Ambientada em uma semi-arena, a cena da montagem alterna entre intensos diálogos entre os dois, explorando uma série de questionamentos a partir da perspectiva da doc-ficção.

Maia e Cintra são filho e mãe na vida real (Foto: Ana Alexandrino)
Maia e Cintra são filho e mãe na vida real (Foto: Ana Alexandrino)

A peça nasce da força desses laços e de um encontro de vivências. Nasce da urgência de que sejam ouvidas as vozes daqueles que precisam resistir antes de existir. É no íntimo que são vistas as faces mais duras do preconceito e da opressão, mas também os mais delicados atos de amor”, dizMaia.

A trilha sonora, assinada por Angeliq Farnochia, traz uma camada adicional de profundidade à produção. A música, especialmente a “Balada de Tim Bernardes”, reforça a urgência do debate sobre a identidade, a transfobia e a importância de apoiar aqueles que amamos, mesmo quando isso significa enfrentar nossos próprios preconceitos.

Segundo Castro, a peça serve também como um alerta sobre o aumento da violência contra a população trans, num cenário em que discursos e projetos de lei que visam barrar os direitos LGBTQIA+ têm ganhado força, a exemplo dos Estados Unidos: “Em um mundo que acaba de eleger Donald Trump como presidente dos EUA e vê os direitos da população LGBT ameaçados, ainda acredito no amor como resposta. O espetáculo aposta nas relações familiares como espaço para o diálogo e a superação dos preconceitos”, explica.

De acordo com a artista, o texto da montagem já está sendo adaptado para as telonas, em parceria com Maria de Medeiros, numa coprodução franco-brasileira. Medeiros trabalhou anteriormente com Castro, na versão cinematográfica de “Aos nossos filhos”, que trouxe Marieta Severo no papel principal.

“Por que não cantando?” estreia neste sábado (29), às 18h30, na Queerioca, Centro do Rio de Janeiro, com ingressos a partir de R$ 20,00 a meia-entrada.

FICHA TÉCNICA: 

Dramaturgia e Direção: Laura Castro

Elenco: Sarah Cintra e Felipe Maia

Direção Musical: Angeliq Farnocchia 

Banda: Angeliq Farnocchia (teclados) e rcn zbr (baixo)

Cenografia:  Cristina Flores com obra de Opavivará (Remo Tupy)

Figurinos: Sarah Cintra

Iluminação: Dani Sanchez

Assessoria de Imprensa: Rafael Millon e Felipe Maciel

Programação Visual: Vit.

Realização: Queerioca

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