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Festival do Rio 2025: veja os filmes LGBT+ que concorrem ao Prêmio Félix

Festival do Rio 2025: confira os filmes LGBTQIA+ na programação

Em sua 27ª edição, o Festival do Rio ocupa novamente as salas de cinema da capital fluminense entre os dias 3 e 12 de outubro, celebrando o que há de mais relevante na produção audiovisual contemporânea. Como é de praxe, a programação conta com alguns dos principais filmes nacionais e internacionais que já foram premiados mundo afora ou começam agora seus ciclos de exibição, dentre os quais estão os selecionados ao Prêmio Félix, que desde 2014 celebra histórias que amplificam as vozes da comunidade LGBTQIA+.

Entre os destaques do Félix, estão títulos como A Sapatona Galáctica, vencedor do Teddy Awards em Berlim; Honey, Não!, de Ethan Coen; O Olhar Misterioso do Flamingo, premiado em Cannes; Estranho Rio, exibido em Veneza; Apolo, de Tainá Müller; e Ato Noturno, de Marcio Reolon e Filipe Matzembacher, a mesma dupla responsável por Tinta Bruta ( Tinta Bruta.

Além da competição, o festival lança o Selo Félix, que destaca obras de relevância para a comunidade, mas que não concorrem necessariamente ao prêmio. É o caso da série Ayô, dirigida por Yasmin Thayná, que integra a programação do Especial Séries Brasileiras.

Fora da mostra LGBTQIA+, estão outros destaques como O Agente Secreto, nova obra de Kleber Mendonça Filho, escolhido para representar o Brasil na corrida ao Oscar 2026 e laureado no Festival de Cannes com três prêmios; Valor Sentimental, de Joachim Trier; além de novos trabalhos de nomes como Luca Guadagnino, Chloé Zhao, Hong Sang-soo e Claire Denis.

A edição deste ano contará ainda com a presença de Juliette Binoche, que lança seu primeiro longa como diretora; Bill Kramer, CEO da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood e Franck Madureira, presidente da Queer Palm do Festival de Cannes.

Abaixo, reunimos uma seleção especial de obras da programação que participam do Félix, além daquelas realizadas por sujeitos LGBTQIA+ ou que podem interessar a comunidade. Para informações sobre horários, acesse o site oficial.

“AMOR, DOCE CONFUSÃO” (Dir: Toti Loureiro; Brasil)

Nesta comédia romântica entrelaçada de Toti Loureiro, jovens casais enfrentam os tropeços e encantos dos relacionamentos contemporâneos. Entre mensagens não respondidas, encontros inesperados e promessas nem sempre cumpridas, eles tentam entender o outro e a si mesmos no caos afetivo dos dias de hoje.

"Amor, Doce, Confusão", de Toti Loureiro (Foto: Divulgação)
“Amor, Doce, Confusão”, de Toti Loureiro (Foto: Divulgação)

“ATO NOTURNO” (Dir: Filipe Matzembacher e Marcio Reolon; Brasil)

Prêmio Félix – De Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (mesmos nomes por trás de Tinta Bruta, vencedor do Prêmio Teddy de Melhor Filme no Festival de Berlim de 2018), Ato Noturno traz a história do caso secreto entre um jovem ator em busca de reconhecimento e um político em ascensão. Unidos pelo desejo e pela compulsão de se exporem em espaços públicos, eles mergulham em uma relação marcada pela tensão entre prazer, poder e perigo.

“Ato Noturno”, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (Foto: Divulgação)

“APOLO” (Dir: Tainá Müller; Brasil)

Prêmio Félix – Apolo acompanha Isis Broken e Lourenzo Gabriel em sua jornada como um casal trans em um dos países que mais mata pessoas trans no mundo. O documentário de Tainá Müller revela os desafios enfrentados por eles, que se intensificam quando descobrem uma gravidez concebida naturalmente durante a pandemia da covid-19.

“Apolo”, de Tainá Müller (Foto: Divulgação)

“AYÔ” (Dir: Yasmin Thayná; Brasil)

Selo Félix – Ayô é um ator negro, gay e baiano vivendo em São Paulo, que enfrenta os silêncios e ruídos da vida adulta. Cansado das frustrações amorosas e abalado por um impasse com Manu, ele se lança nos aplicativos e acaba encontrando João, com o qual percebe uma inesperada conexão. A série de Yasmin Thayná conta com Lucas Oranmian, Caio Blat, Breno Ferreira, Lázaro Ramos e Aretha Sadick no elenco.

“AYÔ”, de Yasmin Thayná (Foto: Divulgação)

“À BEIRA” (Dir: Mario Martone; Itália / França)

Prêmio Félix – Entre rejeições editoriais e a prisão por roubo em Roma nos anos 1980, a escritora Goliarda Sapienza encontra um destino inesperado em À Beira, de Mario Martone. Privada da liberdade após ver seu romance recusado por uma década, ela descobre nas relações com jovens detentas um sopro de vitalidade.

“À Beira”, de Mario Martone (Foto: Divulgação)

“BODY BLOW” (Dir: Dean Francis; Austrália)

Prêmio Félix – De Dean Francis, Body Blow acompanha a trajetória de Aiden (Tim Pocock), um jovem policial em crise, acusado de má conduta após ceder a impulsos sexuais incontroláveis. Designado para uma missão disfarçada no submundo de Sydney, ele se vê seduzido por um garoto de programa que o envolve em uma rede de corrupção, chantagem e violência.

“Body Blow”, de Dean Francis (Foto: Divulgação)

“CHOVE SOBRE BABEL” (Dir: Gala Del Sol; Colômbia / Espanha / EUA)

Prêmio Félix – Em Chove Sobre Babel, de Gala Del Sol, uma versão tropical-punk do Inferno de Dante ganha vida em um bar mítico que funciona como purgatório. Ali, sob o olhar implacável de La Flaca, almas arriscam anos de suas vidas em uma roleta contra o próprio destino. Nesse espaço surreal, um grupo de desajustados se encontra em meio a paixões, identidades e escolhas que redefinem seus caminhos.

“Chove Sobre Babel”, de Gala Del Sol (Foto: Divulgação)

“COPACABANA, 4 DE MAIO” (Dir: Allan Ribeiro; Brasil)

Prêmio Félix – Com 1,6 milhão de pessoas reunidas nas areias de Copacabana, Madonna realizou em 2024 o maior show de sua carreira. Copacabana, 4 de Maio, de Allan Ribeiro, acompanha os bastidores dessa noite histórica: a preparação da cidade, a energia das ruas, a devoção dos fãs e a força simbólica de uma artista que, há décadas, transforma a cultura pop ao defender liberdade, diversidade e resistência.

“Copacabana, 4 de Maio”, de Allan Ribeiro (Foto: Divulgação)

“CRIADAS” (Dir: Carol Rodrigues; Brasil)

Criadas, dirigido pela cineasta queer Carol Rodrigues, acompanha Sandra, negra de pele escura, que retorna à casa de sua prima Mariana, negra de pele clara, em busca de uma foto da mãe falecida que trabalhou ali como empregada residente. Apesar de terem sido criadas juntas, suas vivências naquele espaço foram muito diferentes, e ao se reconectarem, memórias antigas e de um amor que nunca desapareceu começam a emergir.

“Criadas”, de Carol Rodrigues (Foto: Divulgação)

“A CRONOLOGIA DA ÁGUA” (Dir: Kristen Stewart; EUA / França / Letônia)

A Cronologia da Água, estreia de Kristen Stewart na direção, adapta as memórias de Lidia Yuknavitch em uma narrativa sobre traumas, vícios, desejo e reinvenção. Com Imogen Poots no papel principal, o filme mergulha em uma vida marcada por abusos e relações destruídas, mas também pela descoberta da escrita e da natação como formas de sobrevivência. Exibido no Festival de Cannes, na seção Un Certain Regard, foi aclamado pela crítica e ovacionado pela plat´´eia.

“A Cronologia da Água”, de Kristen Stewart (Foto: Divulgação)

“DEPOIS DA CAÇADA” (Dir: Luca Guadagnino; EUA)

Após um 2024 prolífico, Luca Guadagnino retorna este ano com Depois da Caçada, um drama psicológico sobre a história de Alma Olsson (Julia Roberts), professora universitária respeitada numa faculdade de elite que vê sua vida virar de cabeça pra baixo quando uma aluna promissora, Maggie Price (Ayo Edebiri), acusa Hank Gibson (Andrew Garfield), colega próximo de Alma, de agressão sexual. O filme fez sua estreia mundial fora de competição no Festival de Veneza e é o título escolhido para a Gala de Abertura do Festival do Rio.

“Depois da Caçada”, de Luca Guadagnino (Foto: Divulgação)

“ELIZABETH BISHOP: DO BRASIL COM AMOR” (Dir: Vivian Ostrovsky; EUA)

Prêmio Félix – O documentário Elizabeth Bishop: Do Brasil com Amor, de Vivian Ostrovsky, revisita os anos em que a poeta americana viveu no Brasil, entre as décadas de 1950 e 1960, período marcado por sua relação amorosa com a arquiteta e urbanista Lota de Macedo Soares. Cartas, versos, imagens raras de arquivo e a voz da própria poeta compõem o retrato íntimo de uma estrangeira fascinada pelo Brasil e em permanente confronto com suas próprias complexidades e fragilidades. O romance das duas já rendeu também o filme Flores Raras (Bruno Barreto, 2013), que está na nossa lista de 50 títulos LGBTQIA+ essenciais no streaming.

“Elizabeth Bishop: Do Brasil com Amor”, de Vivian Ostrovsky (Foto: Divulgação)

“EMOÇÕES REPRESADAS” (Dir: Čejen Černić Čanak; Croácia / Lituânia / Eslovênia)

Prêmio Félix – Em uma pequena vila croata ameaçada pela enchente do rio, Marko, um adolescente popular e aparentemente no controle de sua vida, vê sua rotina abalada com o retorno inesperado de Slaven, seu amigo de infância e antigo amor proibido, que chega para o funeral do pai após ser rejeitado pela família por sua orientação sexual. Enquanto tenta equilibrar a namorada, o irmão mais novo e os treinos, Marko sente que, assim como a água que se aproxima, suas emoções reprimidas estão prestes a transbordar. Dirigido por Čejen Černić Čanak, Emoções Represadas explora os conflitos internos e as tensões entre desejo, rejeição e aceitação.

“Emoções Represadas”, de Čejen Černić Čanak (Foto: Divulgação)

“ESTRANHO RIO” (Dir: Jaume Claret Muxart; Espanha / Alemanha)

Prêmio Félix – Em Estranho Rio, de Jaume Claret Muxart, Dídac é um adolescente de 16 anos que percorre o rio Danúbio em uma viagem de bicicleta com sua família, até que um encontro enigmático com outro rapaz desperta sentimentos inéditos que transformam sua relação familiar e dão início a uma jornada intensa de autodescoberta e emancipação.

“Estranho Rio”, de Jaume Claret Muxart (Foto: Divulgação)

“EU, TU, ELE, ELA” (Dir: Chantal Akerman; Bélgica / França)

Prêmio Félix – Reconhecida como uma das vozes mais radicais do cinema moderno e responsável por Jeanne Dielman, eleito o melhor filme do século pela Sight & Sound, Chantal Akerman iniciou sua trajetória de longas com Eu, Tu, Ele, Ela. Na obra, uma jovem se isola em um quarto vazio após o fim de um relacionamento, experimentando o tédio, a escrita e a fome, até embarcar em uma jornada errante que culmina no reencontro com uma antiga amante.

“Eu, Tu, Ele, Ela”, de Chantal Akerman (Foto: Divulgação)

“FÔLEGO – ATÉ DEPOIS DO FIM” (Dir: Candé Salles; Brasil)

No documentário FÔLEGO – Até Depois do Fim, de Candé Salles, Maria Carol Rebello, atriz e diretora, narra sua própria trajetória de vida e a rica história artística de sua família. Entre memórias e lembranças, ela revisita a obra e a influência do tio, o ator e diretor Jorge Fernando; da avó, a atriz Hilda Rebello; e do irmão, o multiartista João Rebello. Ao longo do filme, Maria Carol reflete sobre as perdas que marcaram sua vida  e compartilha como encontra força para continuar seguindo seu caminho na arte.

“FÔLEGO – Até Depois do Fim”, de Candé Salles (Foto: Divulgação)

“FRUTOS DO CACTO” (Dir: Rohan Parashuram Kanawade; Índia / Reino Unido / Canadá)

Prêmio Félix – Após a morte do pai, Anand retorna ao vilarejo onde cresceu, no oeste da Índia, para cumprir um ritual tradicional de luto. Cercado pelas expectativas familiares e pelas rígidas normas locais, ele reencontra Balya, amigo de infância que, como ele, desafia as convenções sociais. Vencedor do Grande Prêmio do Júri em Sundance, Frutos do Cacto, dirigido por Rohan Parashuram Kanawade, é um delicado retrato de resistência e amor em meio às tradições.

“Frutos do Cacto”, de Rohan Parashuram Kanawade (Foto: Divulgação)

“HEDDA” (Dir: Nia DaCosta; EUA)

Prêmio Félix – De Nia DaCosta, Hedda é uma readaptação moderna da clássica peça Hedda Gabler, de Henrik Ibsen, que acompanha uma mulher dividida entre a vida estável e sufocante do casamento e um amor do passado. Com Tessa Thompson, Nina Hoss e Imogen Poots no elenco, o filme, elogiado pela sua releitura queer, mergulha nas complexidades de uma alma inquieta e insatisfeita.

“Hedda”, de Nia DaCosta (Foto: Divulgação)

“HONEY, NÃO!” (Dir: Ethan Coen; EUA / Reino Unido)

Prêmio Félix – Outro trabalho de Ethan Coen sem o irmão Joel, que integra o segundo capítulo da chamada “trilogia lésbica de filmes B” iniciada em Garotas em Fugas, Honey, Não! traz Margaret Qualley no papel de Honey O’Donahue, uma detetive particular em Bakersfield, Califórnia, especializada em casos de infidelidade conjugal. Sua rotina vira de cabeça para baixo quando investiga a morte misteriosa de uma mulher em um acidente de carro, levando-a a descobrir uma série de óbitos ligados a uma excêntrica igreja liderada por um carismático pastor (Chris Evans). O filme também conta com Aubrey Plaza como a policial MG Falcone, aliada de Honey no caso e na cama, e Charlie Day como o detetive Marty Metakawich.

“Honey, Não!”, de Ethan Coen (Foto: Divulgação)

“KOHUKO – O MESTRE KABUKI” (Dir: Sang-il Lee; Japão)

Prêmio Félix – No Japão dos anos 1960, Kikuo, um garoto de 14 anos, perde o pai, chefe de uma gangue da yakuza, e encontra um novo destino ao ser acolhido por um renomado ator de Kabuki. Ao lado de Shunsuke, filho do mestre, ele mergulha no rigor e no fascínio dessa tradição milenar. Entre ensaios, palcos e rivalidades, a amizade que os une atravessa glórias e quedas, cumplicidades e traições, até que apenas um deles se consagra como o maior nome do Kabuki japonês. Dirigido por Sang-il Lee.

“Kohuko – O Mestre Kabuki”, de Sang-il Lee (Foto: Divulgação)

“LOVE KILLS” (Dir: Luiza Shelling Tubaldini; Brasil)

Prêmio Félix – Inspirado no quadrinho homônimo de Beyruth, Love Kills, de Luiza Shelling Tubaldini, reinventa o mito dos vampiros (subgênero historicamente marcado por leituras queer). No coração de São Paulo, em meio à devastação causada pelo crack, Helena, uma jovem vampira, assombra um café decadente e desperta a curiosidade de um garçom ingênuo. Conforme ele mergulha em seus segredos e no submundo da cidade, é seduzido por um universo de desejos e dilemas que colocam em jogo sua própria mortalidade.

“Love Kills”, de Luiza Shelling Tubaldini (Foto: Divulgação)

“ME AME COM TERNURA” (Dir: Anna Cazenave Cambet; França / Luxemburgo)

Prêmio Félix – Em Me Ame com Ternura, de Anna Cazenave Cambet, Clémence vê sua vida virar do avesso ao revelar ao ex-marido que está vivendo novos amores com mulheres. Ele responde de forma cruel, afastando-a do filho e rompendo o vínculo entre mãe e criança. Entre dor e resistência, ela precisa reconstruir sua identidade e sua liberdade, descobrindo no próprio desejo a força para continuar.

“Me Ame com Ternura”, de Anna Cazenave Cambet (Foto: Divulgação)

“AS MENINAS” (Dir: Valentina Bertani e Nicole Bertani; Itália / Suíça / França)

Após se mudar da luxuosa Suíça para a Itália com a mãe, Linda, de oito anos, encontra nas irmãs Azzurra e Marta uma amizade forte e protetora. Enquanto enfrentam pais vulneráveis, vizinhos reprimidos e uma babá queer em busca de pertencimento, as três meninas formam um laço que as ajuda a preservar sua juventude e liberdade em meio a um mundo cheio de desafios e preconceitos. As Meninas estreou na última edição do Festival de Locarno e é dirigido pela dupla Valentina Bertani e Nicole Bertani.

“As Meninas”, de Valentina Bertani e Nicole Bertani (Foto: Divulgação)

“PEQUENOS PECADOS” (Dir: Urška Djukić; Eslovênia / Itália / Croácia / Sérvia)

Prêmio Félix – Pequenos Pecados, de Urška Djukić, acompanha Lucia, uma jovem introvertida de 16 anos, que se junta ao coro feminino de sua escola católica, onde estabelece uma amizade complexa com Ana-Maria, uma aluna popular e sedutora. Durante um fim de semana de ensaios em um convento isolado, o interesse de Lucia por um homem local provoca tensões que ameaçam a harmonia do grupo.

“Pequenos Pecados”, de Urška Djukić (Foto: Divulgação)

“O OLHAR MISTERIOSO DO FLAMINGO” (Dir: Diego Céspedes; Chile / França / Alemanha / Espanha / Bélgica)

Prêmio Félix – O Olhar Misterioso do Flamingo, dirigido por Diego Céspedes, é um faroeste moderno que aborda as mazelas causadas pelo preconceito durante uma epidemia de vírus transmitido através do olhar, funcionando como uma alegoria para a epidemia de AIDS nos anos 1980. A história segue Lidia (Tamara Cortes), uma menina de 12 anos que vive em uma pequena cidade no deserto do Chile, criada em uma família amorosa e queer. Sua vida vira de cabeça para baixo quando o vírus começa a assolar a sociedade, e ela embarca em uma jornada de autoconhecimento enquanto testemunha a luta de sua comunidade. O filme, vencedor da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes, será exibido na mostra Première Latina do Festival do Rio.

“O Olhar Misterioso do Flamingo”, de Diego Céspedes (Foto: Divulgação)

“A ONDA” (Dir: Sebastián Lelio; Chile)

De Sebastián Lelio, responsável por Uma Mulher Fantástica (leia nossa crítica aqui), A Onda acompanha Julia (Daniela López), uma estudante de música envolvida nas ocupações universitárias de 2018 no Chile, inspiradas pelo movimento #MeToo. O musical conta com trilha sonora de músicos chilenos como Ana Tijoux, Camila Moreno e Javiera Parra, além do compositor Matthew Herbert. O filme estreou mundialmente no Festival de Cannes e recebeu elogios pela sua energia vibrante e por reinventar o gênero do qual faz parte.

“A Onda”, de Sebastián Lelio (Foto: Divulgação)

“AOS PEDAÇOS: A MÚSICA DE MEREDITH MONK” (Dir: Billy Shebar; EUA / Alemanha / França)

Prêmio Félix – O documentário Aos Pedaços: A Música de Meredith Monk, de Billy Shebar, retrata a trajetória da compositora, performer e artista interdisciplinar que se tornou uma das grandes pioneiras do nosso tempo. Mulher em meio ao cenário nova-iorquino das décadas de 1960 e 1970, marcado pela predominância masculina, Monk precisou lutar por espaço e recursos. Com entrevistas de artistas como Björk e David Byrne, o filme compõe um mosaico que reflete a estrutura fragmentada e singular de sua obra.

“Aos Pedaços: A Música de Meredith Monk”, de Billy Shebar (Foto: Divulgação)

“QUASE AMOR” (Dir: Sigurður Anton Friðþjófsson; Islândia)

Prêmio Félix – Em Quase Amor, de Sigurður Anton Friðþjófsson, Emilý, jovem criadora de conteúdo adulto, vive um relacionamento aberto e à distância com Katinka. A aparente estabilidade da relação se desfaz quando descobre que a namorada planeja mudar-se para a Islândia e deseja exclusividade. Entre inseguranças sobre o futuro, dificuldades financeiras, encontros incertos e a pressão de um vizinho moralista, Emilý ainda encontra espaço para apoiar uma adolescente em crise, enquanto busca compreender seus próprios desejos e limites.

“Quase Amor”, de Sigurður Anton Friðþjófsson (Foto: Divulgação)

“QUEENS OF THE DEAD” (Dir: Tina Romero; EUA)

Prêmio Félix – No Brooklyn, uma noite de show drag é interrompida por um inesperado apocalipse zumbi em Queens of the Dead, de Tina Romero. Drag queens, club kids e rivais de cena precisam deixar de lado os dramas pessoais para enfrentar a horda de mortos-vivos. Moderno, irreverente e queer, o filme marca a estreia da filha de George A. Romero, criador de A Noite dos Mortos-Vivos, e teve exibição no Festival de Tribeca.

“Queens of the Dead”, de Tina Romero (Foto: Divulgação)

“O RISO E A FACA” (Dir: Pedro Pinho; Portugal / Brasil / França / Romênia)

Sérgio é um engenheiro que viaja até uma cidade da África Ocidental para trabalhar na construção de uma estrada entre o deserto e a selva, a serviço de uma ONG. Envolvido em uma relação íntima e desequilibrada com Diára e Gui, ele se vê imerso nas complexas dinâmicas neocoloniais da comunidade de expatriados. O Riso e a Faca, de Pedro Pinho, rendeu a Cleo Diára o prêmio de Melhor Atriz na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes.

“O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho (Foto: Divulgação)

“RUAS DA GLÓRIA” (Dir: Felipe Sholl; Brasil)

Prêmio Félix – Perdido após uma grande perda, Gabriel encontra no Rio de Janeiro um fascínio perigoso por Adriano, um garoto de programa. Quando ele desaparece, a busca obsessiva transforma Gabriel por inteiro, levando-o a assumir a mesma vida de seu objeto de desejo. Dirigido por Felipe Sholl.

“Ruas da Glória”, de Felipe Sholl (Foto: Divulgação)

“A SAPATONA GALÁTICA” (Dir: Leela Varghese e Emma Hough Hobb; Austrália)

Prêmio Félix – Na animação A Sapatona Galática, de Leela Varghese e Emma Hough Hobb, a tímida Princesa Saira é surpreendida quando a namorada, a caçadora de recompensas Kiki, termina o relacionamento alegando que ela é carente demais. O rompimento mal é digerido e Kiki é sequestrada por um grupo de incels esquecidos do futuro. Para salvá-la, Saira precisa abandonar o conforto de seu planeta natal e entregar o Royal Labrys, a arma mais poderosa da comunidade lésbica.

“A Sapatona Galática”, de Leela Varghese e Emma Hough Hobbs (Foto: Divulgação)

“SARAH MCBRIDE: A PRIMEIRA CONGRESSISTA TRANS” (Dir: Chase Joynt; EUA)

Prêmio Félix – Sarah McBride: A Primeira Congressista Trans, dirigido por Chase Joynt, acompanha com acesso exclusivo a histórica campanha de Sarah McBride, ativista e política que fez história ao se tornar a primeira mulher transgênero eleita para o Congresso dos Estados Unidos. O documentário acompanha os desafios da congressista ao equilibrar ativismo e estratégias eleitorais em meio a uma nação profundamente dividida.

“Sarah McBride: A Primeira Congressista Trans”, de Chase Joynt (Foto: Divulgação)

“SEM DÓ NEM PIEDADE” (Dir: Isa Willinger; Alemanha / Áustria)

Catherine Breillat, Virginie Despentes, Alice Diop, Céline Sciamma, Ana Lily Amirpour e Monika Treut estão entre as grandes cineastas que participam de Sem Dó Nem Piedade, um documentário que questiona: o que o cinema feito por mulheres tem em comum? Partindo da admiração pela pioneira ucraniana Kira Muratova, a diretora Isa Willinger investiga se esse cinema é realmente mais violento e duro, revelando como a tela reflete tensões sociais e relações de poder.

“Sem Dó Nem Piedade”, de Isa Willinger (Foto: Divulgação)

“TRAGO SEU AMOR” (Dir: Claudia Castro; Brasil)

Prêmio Félix – Em Trago Seu Amor, de Claudia Castro, Mia é uma jovem bruxa carismática e um tanto egocêntrica que guarda um dom peculiar: qualquer pessoa que a beije se apaixona por ela ou revive o sentimento pelo último amor. Numa de suas rondas, conhece Yuri, ainda de coração partido após o fim com René. O que começa como mais uma de suas artimanhas toma outro rumo quando Mia se vê inesperadamente apaixonada… justamente pela ex-namorada do rapaz.

Trago Seu Amor, de Claudia Castro

“TWINLESS” (Dir: James Sweeney; EUA)

Prêmio Félix – O vazio deixado pela perda de um irmão gêmeo torna-se o ponto de partida de Twinless, de James Sweeney. Roman, ainda em luto, se junta a um grupo de apoio e conhece Dennis, um jovem inteligente, sarcástico e igualmente ferido pela ausência. Dessa relação nasce uma amizade intensa e ambígua, que oscila entre cumplicidade, humor ácido e dor compartilhada. Vencedor do Prêmio do Público no Festival de Sundance.

“Twinless”, de James Sweeney (Foto: Divulgação)

“VIRTUOSAS” (Dir: Cíntia Domit Bittar; Brasil)

Virtuosas, dirigido por Cíntia Domit Bittar e estrelado por Bruna Linzmeyer, acompanha um grupo de mulheres cristãs em um retiro de luxo, cujas estruturas são abaladas por uma antiga lenda de bruxaria. O filme explora o fundamentalismo religioso e os conflitos silenciosos dessas mulheres e foi vencedor do Goes to Cannes Award 2025 na Marché du Film, destacando o cinema brasileiro no mercado internacional.

“Virtuosas”, de Cíntia Domit Bittar (Foto: Divulgação)

Curtas que também concorrem ao Félix:

Outros destaques:

“O AGENTE SECRETO” (Dir: Kleber Mendonça Filho; Alemanha / Brasil / França / Países Baixos)

Marcelo é um especialista em tecnologia que retorna ao Recife, sua cidade natal, após anos afastado, na tentativa de escapar de um passado que insiste em reaparecer. Entre praias ensolaradas e becos abafados, ele se vê arrastado para uma teia de vigilância, espionagem e lealdades ambíguas. O Agente Secreto vai ser o representante do Brasil no Oscar e garantiu três prêmios no Festival de Cannes deste ano, incluindo Melhor Diretor para Kléber Mendonça Filho e Melhor Ator para Wagner Moura.

“O Agente Secreto”, de Kléber Mendonça Filho (Foto: Divulgação)

“ALPHA” (Dir: Julia Ducournau; França / Bélgica)

Julia Ducournau (responsável por Grave e Titane) retorna com Alpha, acompanhando a trajetória inquietante de uma adolescente de 13 anos que vive com a mãe solteira em uma cidade marcada pelo medo. Quando ela retorna para casa com uma misteriosa tatuagem no braço, enquanto uma epidemia viral transforma pessoas em pedra, a realidade começa a se desfazer em fragmentos de delírio e angústia.

“Alpha”, de Julia Ducournau (Foto: Divulgação)

“ÂNGELA DINIZ – ASSASSINADA E CONDENADA” (Dir: Andrucha Waddington; Brasil)

Ângela Diniz – Assassinada e Condenada revisita o caso que chocou o Brasil e se tornou símbolo da luta feminista no país. Ícone da alta sociedade mineira dos anos 70, Ângela viveu intensamente, desafiando padrões até ser assassinada pelo namorado Doca Street, que, num julgamento controverso, foi absolvido com a controversa tese da “legítima defesa da honra”. O filme, dirigido por Andrucha Waddington, traz Marjorie Estiano no papel principal.

“Ângela Diniz – Assassinada e Condenada”, de Andrucha Waddington (Foto: Divulgação)

“A CERCA” (Dir: Claire Denis; França)

Em A Cerca, Claire Denis adapta a peça Black Battles with Dogs, de Bernard-Marie Koltès, para criar um drama denso e claustrofóbico sobre poder, violência e legado colonial. Ambientado em um canteiro de obras isolado na África Ocidental, o filme acompanha a escalada de tensão após a morte suspeita de um trabalhador local e a chegada de seu irmão, Alboury, em busca de explicações.

“A Cerca”, de Claire Denis (Foto: Divulgação)

“A CONSPIRAÇÃO CONDOR” (Dir: André Sturm; Brasil)

Em A Conspiração Condor, de André Sturm, uma jornalista (Mel Lisboa) se lança em uma investigação ousada após a morte suspeita do ex-presidente Juscelino Kubitscheck, ocorrida em agosto de 1976. Quando João Goulart também morre em circunstâncias misteriosas poucos meses depois, suas suspeitas se transformam em uma busca implacável por verdades ocultas.

“A Conspiração Condor”, de André Sturm (Foto: Divulgação)

“COUTURE” (Dir: Alice Winocour; EUA / França)

Ambientado no brilho ilusório da Semana de Moda de Paris, Couture, de Alice Winocour, entrelaça os destinos de três mulheres em momentos de ruptura e reinvenção. Maxine, interpretada por Angelina Jolie, é uma diretora de cinema americana que enfrenta o impacto de um diagnóstico de câncer; Ada, uma jovem modelo sul-sudanesa, tenta escapar dos mecanismos de exploração que permeiam a indústria; e Angèle, uma maquiadora francesa, sonha em desaparecer da própria realidade.

“Couture”, de Alice Winocour (Foto: Divulgação)

“FERNANDA ABREU – DA LATA 30 ANOS, O DOCUMENTÁRIO” (Dir: Paulo Severo; Brasil)

Com base em imagens inéditas captadas durante as gravações do álbum Da Lata em 1995, este documentário de Paulo Severo revela os bastidores da criação musical de Fernanda Abreu. Com depoimentos atuais dos colaboradores daquela época, o filme é uma celebração vibrante da música, da cultura e do contexto social do Rio de Janeiro e do Brasil em meados dos anos 90.

“Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos, O Documentário”, de Paulo Severo (Foto: Divulgação)

“HAMNET: A VIDA ANTES DE HAMLET” (Dir: Chloé Zhao; Reino Unido)

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, dirigido por Chloé Zhao, é uma adaptação cinematográfica do aclamado romance de Maggie O’Farrell. O filme narra a história de Agnes Hathaway (interpretada por Jessie Buckley), esposa de William Shakespeare (Paul Mescal), e o impacto devastador da morte de seu filho de 11 anos, Hamnet, na vida do casal e na criação da obra Hamlet. O longa estreou mundialmente no Festival de Telluride e recebeu o prestigioso Prêmio do Público no Festival de Cinema de Toronto de 2025, posicionando-se como um forte concorrente para a temporada de premiações.

“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, de Chloé Zhao (Foto: Divulgação)

“LA GRAZIA” (Dir: Paolo Sorrentino; Itália)

Paolo Sorrentino retorna à mostra Panorama Mundial do Festival do Rio com La Grazia, drama que estreou como filme de abertura no Festival de Veneza deste ano e rendeu a Toni Servillo o Prêmio Copa de Melhor Ator. Servillo vive Mariano De Santis, presidente fictício da Itália, viúvo e católico, que enfrenta o dilema entre conceder dois pedidos de perdão e decidir sobre a aprovação de uma lei de eutanásia.

“La Grazia”, de Paolo Sorrentino (Foto: Divulgação)

“MASSA FUNKEIRA” (Dir: Ana Rieper; Brasil)

Massa Funkeira é um documentário que mergulha no universo do funk, o gênero musical de maior potência e popularidade no Brasil, para revelar, sem moralismos, como o sexo é vivido e expressado através do corpo, da dança, das letras e das experiências de seus artistas. Entre bailes, corpos em movimento e personagens marcantes, o filme de Ana Rieper celebra o funk como uma força vital da periferia.

“Massa Funkeira”, de Ana Rieper (Foto: Divulgação)

“A MEIA-IRMÃ FEIA” (Dir: Emilie Blichfeldt; Noruega / Suécia / Polônia / Dinamarca)

A Meia-Irmã Feia, dirigido por Emilie Blichfeldt, reimagina o clássico conto de Cinderela a partir da perspectiva da meia-irmã Elvira, em uma perturbadora narrativa de terror corporal. Em uma sociedade onde a beleza é moeda de troca, Elvira enfrenta sua rivalidade com a bela Agnes, recorrendo a medidas extremas e grotescas para alcançar padrões irreais e conquistar o coração do príncipe.

“A Meia-Irmã Feia”, de Emilie Blichfeldt (Foto: Divulgação)

“MORRA, AMOR” (Dir: Lynne Ramsay; EUA / Reino Unido / Canadá)

Grace (Jennifer Lawrence) é uma jovem mãe que se muda com o marido, Jackson (Robert Pattinson), para uma casa isolada em Montana, buscando uma vida tranquila. No entanto, ela começa a enfrentar uma depressão pós-parto profunda, mergulhando em uma espiral de alucinações e distúrbios emocionais. O filme de Lynne Ramsay, baseado no romance de Ariana Harwicz, foi aclamado pela crítica e concorreu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2025.

“Morra, Amor”, de Lynne Ramsey (Foto: Divulgação)

“O QUE A NATUREZA TE CONTA” (Dir: Hong Sang-soo; Coreia do Sul)

Em O Que A Natureza Te Conta, Hong Sang-soo retorna ao Festival do Rio com uma comédia dramática que mistura humor sutil e reflexão sobre as complexidades das relações humanas. Donghwa, um jovem poeta, visita a casa dos pais da namorada Junhee e, após se impressionar com a vastidão da propriedade, é convidado pelo pai dela para uma tarde de bebida e conversas que rapidamente se revelam desconfortáveis e reveladoras.

“O Que A Natureza Te Conta”, de Hong Sang-soo (Foto: Divulgação)

“VALOR SENTIMENTAL” (Dir: Joachim Trier; Noruega / Alemanha / Dinamarca / França / Suécia / Reino Unido / Turquia)

Valor Sentimental revela as tensões entre as irmãs Nora e Agnes ao reencontrarem o pai distante, Gustav, diretor renomado que planeja seu retorno com um novo filme. Ao recusar o papel principal, Nora vê a vaga ser dada a uma jovem estrela americana, provocando conflitos familiares e um choque cultural inesperado. Sob a direção de Joachim Trier, o filme conquistou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes e surge como forte candidato a múltiplas indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme Internacional, categoria em que o Brasil também promete brigar.

“Valor Sentimental”, de Joachim Trier (Foto: Divulgação)

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