15 ícones que construíram a história e o Orgulho LGBTQIA+
Revista Híbrida
LISTA: 15 ícones que construíram a história e o Orgulho LGBTQIA+
Apesar de o Dia do Orgulho LGBTQIA+ ser celebrado anualmente no 28 de junho, em homenagem à Revolta de Stonewall, a data também marca uma oportunidade para destacarmos a diversidade, a coragem e a luta da nossa comunidade, não apenas neste mês, mas ao longo de todo o ano. Pensando nisso, a Híbrida selecionou abaixo 15 ícones que merecem a sua atenção graças ao legado inestimável que construíram ao longo da história, abrindo caminhos fundamentais para a conquista dos nossos direitos, visibilidade e respeito social em diferentes lugares do mundo, épocas e campos de atuação.
Alan Turing
Alan Turing foi um matemático britânico que ajudou a quebrar o código nazista Enigma durante a Segunda Guerra Mundial, acelerando o fim do conflito. Apesar de sua genialidade, Turing enfrentou preconceito por ser gay: em 1952, foi condenado por “indecência grosseira” e submetido a castração química, um castigo cruel que abalou sua vida pessoal e profissional.
Turing morreu jovem, aos 41 anos, em circunstâncias ainda debatidas, mas seu legado científico revolucionou o mundo com a criação dos fundamentos do computador moderno e desenvolveu os princípios nos quais a inteligência artificial é baseada, rendendo-lhe o título informal de “Pai da ciência da computação e da internet”. Mais de meio século depois, ele recebeu um perdão póstumo da coroa britânica, que reconheceu não só a sua contribuição para a ciência, mas também a injustiça que sofreu pelas mãos do próprio governo graças à sua orientação sexual.
Alan Turing, matemático revolucionário e “pai da computação”, era LGBTI+ (Foto: Reprodução)
Anna Blaman
Anna Blaman, pseudônimo de Johanna Petronella Vrugt, nasceu em 1905, na Holanda, e se tornou uma importante voz na emancipação das mulheres lésbicas na década de 1950. Seus romances abordavam temas como a solidão, a sexualidade feminina e a crítica à instituição do casamento, refletindo suas próprias experiências e ideais de independência.
Blaman viveu sua sexualidade abertamente, rejeitando o casamento e adotando uma imagem que desafiava os padrões sociais da época, como o uso de roupas masculinas e o hábito de andar de moto. Saiba mais sobre sua história aqui.
Anna Blaman, a autora lésbica que rejeitava o matrimônio [Foto: Reprodução]
April Ashley
April Ashley foi uma das primeiras modelos trans a ganhar destaque internacional, enfrentando forte transfobia após sua identidade ser revelada em 1961, o que lhe custou trabalhos na moda e no cinema. Apesar disso, ela perseverou, lutando pelos direitos das pessoas trans no Reino Unido, especialmente após a anulação judicial de seu casamento, que negou legalmente sua identidade de gênero.
Seu pioneirismo ajudou a abrir caminhos para maior visibilidade, respeito e dignidade da comunidade trans dentro e fora das passarelas, tornando-se um símbolo de resistência e inspiração. Saiba mais sobre April Ashley aqui.
April Ashley, a modelo que abriu os caminhos para mulheres trans na moda (Foto: Mirrorpix)
Carlos Jáuregui
Carlos Jáuregui foi um dos principais ativistas LGBTIQIA+ da Argentina nas décadas de 1980 e 1990, fundador da primeira Parada do Orgulho em Buenos Airese pioneiro na luta contra a LGBTfobia na América Latina. Ele usou sua visibilidade para mudar a imagem pública da comunidade, enfrentando abertamente o preconceito em um país onde ainda não havia leis contra a discriminação.
Mesmo vivendo pouco (ele morreu aos 38 anos por complicações da Aids), Jáuregui deixou um legado que transformou a política argentina, incluindo a aprovação da primeira lei contra a LGBTfobia em Buenos Aires. Saiba mais sobre sua história aqui.
Carlos Jáuregui, ativista pelos direitos LGBTI+ na Argentina (Foto: Reprodução)
Cláudia Celeste
Cláudia Celeste foi a primeira atriz travesti e mulher trans a ter um papel fixo em uma telenovela brasileira, estreando em 1988 no folhetimOlho no Olho. Artista multifacetada, ela também foi cantora, dançarina, produtora e participou de muitos espaços culturais importantes para a comunidade LGBTQIA+ no Rio de Janeiro.
Apesar dos obstáculos e da transfobia, Cláudia deixou um legado fundamental para a representatividade trans na televisão brasileira. Saiba mais sobre sua história aqui.
Harvey Milk
Harvey Milkfoi o primeiro homem abertamente gay eleito para um cargo público nos Estados Unidos, em 1977, na Câmara de Supervisores de São Francisco. Nascido em Nova York, ele só assumiu publicamente sua orientação sexual após se mudar para São Francisco, onde se tornou uma figura central na luta pelos direitos LGBTQIA+ e por legislações anti-discriminação, além de defender minorias raciais e sociais.
Apesar de seu impacto positivo, Milk enfrentou forte resistência e foi assassinado em 1978, junto com o prefeito George Moscone. Sua trajetória se tornou símbolo de coragem e ativismo, inspirando gerações e sendo celebrada em filmes, documentários e homenagens oficiais, incluindo a Medalha Presidencial da Liberdade, concedida postumamente por Barack Obama. Saiba mais aqui.
Harvey Milk, o ativista pioneiro da representatividade LGBTQIA+ na política (Foto: Acervo)
James Baldwin
James Baldwinfoi um escritor e ativista dos EUA, nascido em 1924, no Harlem. Enfrentando racismo e um ambiente familiar difícil, encontrou na leitura e na cultura seu refúgio, desenvolvendo uma visão crítica sobre raça e sociedade. Morando em Paris por um tempo, publicou obras importantes que abordaram tanto o racismo quanto a homossexualidade, como O Quarto de Giovanni. Retornou aos EUA para lutar pelos direitos civis ao lado de líderes como Martin Luther King Jr. e Malcolm X.
Baldwin nunca se prendeu a rótulos e seu legado permanece vivo na literatura, no cinema e nos movimentos sociais atuais, como o Black Lives Matter. Saiba mais sobre sua história aqui.
James Baldwin, o autor e ativista que transcendeu as barreiras do tempo (Foto: Reprodução)
Josephine Baker
Josephine Baker foi uma artista negra, bissexual e ativista que enfrentou o racismo e o sexismo desde a infância nos EUA, onde começou a trabalhar muito jovem para ajudar a família. Aos 15 anos, iniciou carreira artística na Broadway e, mais tarde, mudou-se para a França, onde alcançou maior reconhecimento e usou sua fama para atuar como espiã na Segunda Guerra Mundial.
Apesar dos desafios financeiros e da falta de apoio oficial durante a vida, Josephine se tornou um símbolo de resistência e inclusão, sendo a única mulher americana a receber funeral militar na França. Saiba mais sobre sua história aqui.
Josephine Baker, a dançarina, ativista e espiã bissexual que lutou contra o Nazismo
Lili Elbe
Lili Elbefoi uma das primeiras pessoas a passar por cirurgias de redesignação sexual na história, vivendo sua verdade em um período cheio de desafios. Ela nasceu na Dinamarca e, aos poucos, assumiu sua identidade como mulher em Paris e na Alemanha, onde fez procedimentos pioneiros.
Mesmo não tendo realizado o sonho de ser mãe, Lili conseguiu viver como mulher e conquistar o reconhecimento social, sendo um símbolo importante da história trans. Sua trajetória inspirou o filme A Garota Dinamarquesae abriu caminhos para a visibilidade e o entendimento de pessoas como ela. Saiba mais sobre sua história aqui.
Lili Elbe, a verdadeira Garota Dinamarquesa (Foto do livro “Fra mand til kvinde”, de Niels Hoyer)
Lorena Borjas
Lorena Borjasfoi uma ativista transgênero e “mãe” da comunidade latina no Queens, em Nova York, que dedicou mais de três décadas à luta pelos direitos das trabalhadoras sexuais, imigrantes e pessoas com o HIV. Natural do México, ela sobreviveu ao tráfico e à exploração sexual antes de se tornar uma figura fundamental de apoio às pessoas trans.
Mesmo enfrentando prisões injustas, Lorena nunca deixou de lutar e organizar sua comunidade, criando fundos para ajudar pessoas em vulnerabilidade, inclusive durante a pandemia do coronavírus, em 2020. Sua força, compaixão e legado permanecem vivos, inspirando resistências e afirmando a importância da dignidade e do cuidado coletivo. Saiba mais sobre Lorena Borjas aqui.
Lorena Borjas (Foto: Reprodução)
Madame Satã
Madame Satã, nome artístico de João Francisco dos Santos, foi a primeira travesti preta artista do Brasil e uma das figuras mais temidas e lendárias da Lapa carioca. Capoeirista, malandro, performer e cuidador da comunidade ao seu redor, ele enfrentou o racismo, a transfobia e o sistema penal com coragem e estilo.
Mesmo passando anos na prisão, seguiu como símbolo de resistência, liberdade e fúria contra a marginalização. Em 1974, sua história virou filme em A Rainha Diaba, dirigido por Antonio Carlos da Fontourae estrelado por Milton Gonçalves. Mais tarde, em 2002, ele inspirou mais uma cinebiografia, dessa vez dirigida por Karim Aïnouz e com Lázaro Ramosno papel principal. Saiba mais sobre a história de Madame Satã aqui.
Madame Satã (Foto: Walter Firmo / Reprodução)
Magnus Hirschfeld
Magnus Hirschfeld foi um médico judeu e gay da Alemanha, pioneiro na pesquisa sobre diversidade sexual e de gênero. Ele acreditava que o conhecimento científico era a chave para a igualdade e foi um dos primeiros a desafiar a ideia de que gênero e sexualidade eram binários. Hirschfeld também fez a primeira cirurgia moderna de readequação sexual e participou ativamente da militância LGBTQIA+, lutando contra leis que criminalizavam a homossexualidade.
Mesmo enfrentando perseguição e violência durante a ascensão do nazismo, Hirschfeld manteve sua luta viva, fundando o Instituto de Sexologia e participando de grupos que buscavam direitos para mulheres e pessoas queer. Exilado na França, continuou seu trabalho até o fim da vida, sempre acreditando que a ciência e a educação podem vencer o preconceito e o ódio. Saiba mais sobre sua história aqui.
Magnus Hirschfeld, o médico gay e judeu que defendeu LGBTs do Nazismo
Marsha P. Johnson
Marsha P. Johnson foi uma mulher trans preta que marcou a história da luta LGBTQIA+. Presente na linha de frente da Revolta de Stonewall, em 1969, ela desafiou a violência policial e fez da solidariedade sua maior arma. Ao lado de Sylvia Rivera, criou a STAR, um abrigo que acolhia pessoas trans e travestis em situação de rua, oferecendo cuidado onde o Estado só oferecia abandono.
Apesar de seu papel essencial no movimento, Marsha foi muitas vezes silenciada em nome de narrativas mais “palatáveis”, brancas e cis. Ainda assim, sua memória resiste como símbolo de coragem, generosidade e orgulho. Saiba mais sobre sua história aqui.
Marsha P. Johnson, História Queer
Miss Biá
Com mais de 60 anos de carreira, Miss Biá destacou-se como drag queen, figurinista e maquiadora, trabalhando por décadas com Hebe Camargo e influenciando gerações na cena drag nacional, especialmente durante o período da ditadura militar.
Ao longo de sua trajetória, valorizou o preparo artístico e a pesquisa para interpretar personagens, criticando a superficialidade de parte da nova geração. Saiba mais sobre Miss Biá aqui.
Miss Biá (Arquivo Pessoal)
Safo das Lebos
Safofoi uma renomada poeta da Grécia Antiga, nascida na ilha de Lesbos, cuja obra lírica celebrava o amor, o desejo e a beleza. Sua obra era frequentemente centrada nos relacionamentos entre mulheres. Embora grande parte de seus versos tenha se perdido ao longo do tempo, o que resta de sua produção revela uma voz intensa e sensível, que foge das normas heteronormativas impostas pela história.
Ao longo dos séculos, diferentes leituras tentaram “normalizar” sua trajetória, apagando ou suavizando sua relação com outras mulheres. A força de sua memória, no entanto, resiste. Termos como “lésbica” e “sáfico” não apenas fazem referência à sua origem, mas também mantêm viva a presença de uma mulher que amou fora das convenções e escreveu a partir de uma subjetividade revolucionária. Saiba mais sobre sua história aqui.