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17 nov 2018

ARETHA SADICK ENCARNA MADAME SATÃ

UM ENSAIO INSPIRADO NO ÍCONE NEGRO E LGBT+ QUE TORNOU-SE SINÔNIMO DA MALANDRAGEM NO RIO DO SÉCULO XX

por JOÃO KER

O grande fator inspiracional por trás dessa 3ª edição da Revista Híbrida é a força e a simbologia que envolve a figura de Madame Satã. Mas além de resgatarmos a história da primeira travesti negra e artista do Brasil, senti a necessidade de imaginar (livremente) como seria, se vestiria e se portaria essa figura no país que, hoje, é o “campeão” no ranking mundial de assassinatos da população trans.

Para essa tarefa, foi essencial contar com a versatilidade de Aretha Sadick para dar vida às dualidades e diferentes facetas de Satã, que também foi o temido malandro Caranguejo, o pai de família e sonhador João Francisco dos Santos, a dançarina Mulata do Balacochê e tantas outras personalidades que só ele soube ser.

Nas fotos clicadas por Victor Takayama, com styling meu e de Ludimilla Fonseca, alguns signos essenciais da personalidade de Satã são reimaginados com uma pegada contemporânea. A saia vermelha, onipresente em suas apresentação pela Praça Tiradentes, aparece aqui com um tecido de vinil e uma camisa de botões.

As vestes de malandro, simbolizadas na figura do chapéu panamá, aparecem em uma versão carmim e andrógina, complementada pelo vestido transparente da Cacete, que simultaneamente ajuda a dar um toque urbano e irreverente aos looks.

Já o lado showgirl de Satã, que se autodenominava como “filho de Iansã e Ogum, devoto de Josephine Baker” aparece pelos vestidos de metal de Filipe Freire, da coleção cujo nome, coincidência ou destino, também chama-se “Liberdade”.

É interessante pensar em como Madame Satã já dialogava com os tempos de hoje, uma vez que Josephine Baker também foi a principal inspiração para um dos vestidos mais famosos do último século, aquele transparente e feito inteiramente de cristais, usado por Rihanna para aceitar o prêmio de Ícone Fashion no CFDA, em 2014.

Para a beleza, assinada por Liv Tavares, nos inspiramos em outros ícones da androginia e da beleza negra, com uma atenção especial a Grace Jones. Já o toque especial para a faceta boa de briga que Satã carregava aparece nas interações entre Aretha, um canivete e o manequim de “homem branco” da Rosa Flamingo, em São Paulo, onde as fotos foram feitas.

O resultado vocês conferem abaixo: