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Qual o posicionamento do papa Leão XIV sobre pessoas LGBTQIA+?

Papa Leão XIV tem visões conflitantes sobre pessoas LGBTQIA+ na Igreja Católica (Foto: Vatican News)

O cardeal americano Robert Francis Prevost foi eleito na tarde desta quinta-feira (8) o 267º papa da Igreja Católica Romana, tornando-se o primeiro pontífice dos Estados Unidos e apenas o segundo do continente americano, depois do Papa Francisco, que era argentino. Nascido em Chicago, o agora chamado Leão XIV é visto como uma pessoa “de centro” e ao mesmo tempo “progressista”, apesar de ter visões mais conservadoras que seu antecessor no que diz respeito a assuntos sociais.

Prevost foi eleito 89 dos 133 cardeais que participaram dos últimos dois dias de conclave. Apesar de ter nascido nos Estados Unidos, ele serviu a maior parte do tempo na América Latina, especialmente no Peru, onde atuou como padre nos municípios de Piura e Trujillo. Mais tarde, em 2014, foi ordenado administrador da Diocese de Chiclayo, onde permaneceu por nove anos.

Antes de ser eleito papa, Prevost ocupava duas funções importantes no alto escalão do Vaticano: prefeito do Dicastério para os Bispos, o órgão responsável pela nomeação dos bispos em todo o mundo; e presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina.

O que o papa Leão XIV (Robert Francis Prevost) pensa sobre pessoas LGBTQIA+?

Em 2012, criticou durante um encontro de bispos como “a mídia e a cultura popular ocidentais” promoviam “a simpatia por crenças e práticas contrárias ao evangelho”, citando “o estilo de vida homossexual” e “famílias alternativas compostas por parceiros do mesmo sexo e seus filhos adotivos”.

Robert Prevost em seu primeiro pronunciamento como papa Leão XIV (Foto: Vatican News)
Robert Prevost em seu primeiro pronunciamento como papa Leão XIV (Foto: Vatican News)

Em 2016, o Ministério da Educação do Peru anunciou uma atualização do currículo escolar nacional e, como parte da mudança, a inclusão do ensino sobre diversidade de gênero e sexualidade. O objetivo é que cada série tenha lições apropriadas à idade dos alunos, para assim aprender a identificar violências baseadas em gênero, infecções sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada e desigualdade de gênero.

À época, o então bispo Robert Prevost trabalhava na cidade de Chiclayo, no noroeste do Peru, e se opôs ao plano proposto pelo governo peruano. “A promoção da ideologia de gênero é confusa, porque busca criar gêneros que não existem”, disse à mídia local.

Já em 2023, ao comentar a bênção da Igreja Católica a casais do mesmo sexo, Prevost defendeu a autonomia das conferências episcopais nacionais para adaptarem as diretrizes católicas aos seus contextos locais e culturais. Em suma, não se colocou nem contra nem a favor. Na ocasião, ele usou como exemplo o continente africano, onde alguns países ainda mantêm a pena de morte para pessoas que são identificadas como LGBTQIA+, o que proibiria automaticamente a benção por padres da região.

Em outros tópicos, o papa Leão XIV também se mostrou um grande “defensor da vida”, opondo-se a temas como o aborto, a eutanásia e a pena de morte. Ele também é contra a ordenação de mulheres na Igreja Católica e já afirmou que isso poderia causar “um problema” na fé católica. Ao mesmo tempo, Leão XIV já se pronunciou a favor da luta contra a crise climática mundial, defendendo também o papel da Igreja Católica nessa jornada.

Ao que tudo indica, Leão XIV pretende seguir a visão reformista de Francisco, mas pode ser ainda mais conservador do que seu antecessor quando o assunto é o acolhimento de pessoas LGBTQIA+ ou casais do mesmo sexo na Igreja Católica.

O próprio Francisco, ao longo de seu papado, manteve uma relação conflitante e por vezes paradoxal em relação a esses assuntos. No geral, ele foi visto como um pontífice progressista além da média e com uma disposição até então inédita de abrir espaço na Igreja Católica para o debate e para a inclusão de grupos marginalizados, ainda que em muitas ocasiões tenha cedido aos dogmas da Igreja Católico e ao poder do Vaticano.

Veja aqui tudo o que o papa Francisco disse e fez sobre a comunidade LGBTQIA+ ao longo do seu papado.

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