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Justiça do Reino Unido decide excluir mulheres trans da definição legal de “mulher”

Suprema Corte do Reino Unido define que mulheres trans não estão incluídas na definição legal de "mulher" (Foto: Divulgação)

Suprema Corte do Reino Unido define que mulheres trans não estão incluídas na definição legal de "mulher" (Foto: Divulgação)

A Suprema Corte do Reino Unido decidiu nesta quarta-feira (16), por unanimidade, que a definição legal de uma mulher não inclui mulheres transexuais. Agora, a justiça britânica passa a considerar apenas o sexo biológico designado ao nascimento para determinar o gênero de um indivíduo em leis e documentos oficiais.

O veredito de 88 páginas encerrou um julgamento iniciado em 2022, quando a ministra Lady Haldane, da Escócia, declarou que a definição de “sexo” não está restrita ao sexo biológico designado ao nascimento. Na época, a For Women Scotland, uma associação de mulheres, contestou a decisão na Justiça britânica.

“A decisão unânime desta Corte é que os termos ‘mulher’ e ‘sexo’ na Lei da Igualdade de 2010 (Equality Act) se referem a uma mulher biológica e ao sexo biológico”, anunciou o ministro Lorde Hodge. “Mas nós aconselhamos contra o entendimento de que esta decisão é um triunfo de um ou mais grupos na nossa sociedade às custas de algum outro. Não é”, acrescentou.

Ainda segundo o ministro, a Lei da Igualdade continua protegendo a população trans do Reino Unido, “não apenas contra a discriminação através da característica protegida de redesignação de gênero, mas também contra a discriminação direta, discriminação indireta e assédio em substância do seu gênero adquirido”.

A decisão anunciada pela Corte, entretanto, afirma que a Lei da Igualdade de 2010 “deixa claro que o conceito de sexo é binário” e que “uma pessoa é homem ou mulher”.

Na prática, a nova definição de “mulher” estabelecida pelos cinco ministros da Suprema Corte britânica – Lorde Hodge, Lorde Reed, Lorde Lloyd-Jones, Lady Rose e Lady Simler -, qualquer estabelecimento ou instituição do Reino Unido pode proibir o acesso de mulheres transexuais a espaços reservados para o sexo feminino, como banheiros, alas hospitalares, esportes etc.

A Anistia Internacional criticou a decisão, que classificou como “decepcionante”. “Há potencialmente consequências preocupantes para pessoas trans, mas é importante frisar que a Corte deixou claro que pessoas trans são protegidas pela Lei da Igualdade contra discriminação e assédio”, afirmou em um comunicado oficial.

Segundo a organização britânica Stonewall, há uma “profunda preocupação pelas amplas implicações” que o veredito da Suprema Corte pode causar. “[A decisão] será incrivelmente preocupante para a comunidade trans e todos nós que a apoiamos.”

Já a jornalista e ativista trans Imara Jones, diretora da TransLash Media, apontou que a decisão “fornece um mapa legislativo para quem quiser bloquear a igualdade legal de pessoas transexuais” nos Estados Unidos. “Esse é um golpe sério na batalha recorrente pelos direitos humanos de pessoas trans e pela igualdade de gênero ao redor do mundo.”

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