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17 set 2021

PORTFÓLIO: PARADAS DO ORGULHO PELO OLHAR DE PEDRO STEPHAN

FOTÓGRAFO E REPÓRTER ABRE ACERVO DE MEMÓRIAS ACOMPANHANDO AS PARADAS BRASILEIRAS ATRAVÉS DOS ANOS

Há décadas ajudando a moldar o imaginário brasileiro sobre a cultura LGBT I+ e GLS bem antes disso, Pedro Stephan colaborou através dos anos com os principais veículos voltados para a comunidade, sempre com o olhar atento para as particularidades que tornam o movimento tão singular no País.

Seja atrás dos trios, nas marchas, barzinhos ou investigando o cruising carioca, o fotógrafo registrou épocas e figuras que não voltam mais, e que ao mesmo tempo permanecem até hoje.

Abaixo, ele compartilha com a Híbrida parte de seu acervo, e vai nos ensinando o que aprendeu vendo e vivendo ao longo do caminho.




Rio – Essa foi uma das imagens da primeira Parada LGBTI+ do Rio. Nós éramos poucos, mas queríamos marcar presença e ter visibilidade na imensa avenida Atlântica em Copa. E a nossa estratégia foi criar uma gigantesca bandeira do arco-íris bem vistosa que ocupava um espaço imenso enquanto nós segurávamos pelas bordas. Nessa primeira Parada, muitos casais LGBTI levaram seus filhos e familiares.

São Paulo – Nas primeiras Paradas de São Paulo, uma mulher trans seminua em plena luz do dia na avenida Paulista causava alvoroço. Naquela época, havia uma enorme “assistência” ao publico de simpatizantes curioso, que ficava nas calçadas olhando o evento.

Rio MC Serginho e a dançarina Lacraia, ídolos do funk carioca, na Parada de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Desde meados dos anos 1990 até os dias de hoje, venho dedicando meu portfólio à abordagem das homossexualidades e gênero, sob um ponto de vista antropológico: atores sociais, ritos, territórios, militância, personalidades, festividades, paradas do orgulho lgbti etc.

Tenho feito imagens que são testemunho da conquista e construção da cidadania LBGTI nas últimas décadas no Brasil, em especial no eixo São Paulo-Rio. Tem sido uma longa trajetória que se confunde com a história da minha própria vida.

São Paulo – O Gay Day era o dia de confraternização da nossa comunidade, que acontecia no Hopi Hari um dia antes da parada LGBTI de São Paulo. É difícil descrever a alegria e euforia das pessoas nesse evento. Muitas LGBTIs iam montadas e fantasiadas pelos mais diversos motivos.

São Paulo – A foto desse casal no Gay Day estampou o cartaz da Organização da Parada de São Paulo “Respeitar Rapazes”. Naquela época, era raro alguém querer aparecer como LGBTI e ser figura publica, muito menos um jovem casal como esse.

Rio – A carnavalização positiva das Paradas: incorporando elementos cênicos tais como fantasias e alegorias.

Quando vemos o repertório de imagens que abordam a diversidade sexual e de gênero, constatamos que até recentemente a temática era majoritariamente homoerótica.

E havia uma lacuna imensa a respeito da representação, principalmente sob forma de imagens fotográficas, do estilo de vida da nossa comunidade como um todo.

Os poucos registros que existiam vinham pela grande imprensa: era o olhar heterosexista, heteronormativo, que invariavelmente nos apresentava como marginais ou exóticos.

São Paulo – No início do milênio, as lésbicas motoqueiras faziam o grande abre alas da Parada de São Paulo.

Rio– Nas primeiras Paradas do Rio, nós do Grupo Arco-Íris éramos obrigados a levar todos os documentos e autorizações conosco. Pois na hora H, a policia aparecia e dizia que não sabia de ato algum. Se não provássemos que estava tudo autorizado e no papel conforme as leis, impediam a Parada de acontecer. Nessa foto, uma pessoa ao fundo usa máscara como a que usamos hoje na pandemia, mas por outro medo: os militantes que estavam à frente da organização da Parada recebiam muitas ameaças de morte anônimas.

Rio– A presença lésbica poderosa e ousada nas paradas.

Minha missão como fotógrafo sempre foi criar uma nova imagem da nossa comunidade.

Uma imagem positiva, que surgia de dentro: para nós mesmos, porque precisamos nos ver.

E também para o grande público heterossexual que, por não conhecer nossa verdadeira face, acreditava nas imagens e afirmações distorcidas que eram lançadas sobre nós.

São Paulo – O escritor e militante histórico João Silvério Trevisan, um dos patriarcas da militância LGBTI paulista, num momento de êxtase na Parada SP.

Rio – O primeiro político a participar de uma parada LGBTI foi Fernando Gabeira, enquanto a primeira celebridade foi o poeta, letrista e filósofo Antonio Cícero, parceiro das melhores musicas de sua irmã Marina Lima.

São Paulo, 2002 – A Marilyn Japonesa, representando a mais perfeita tradução da pluralidade e multiplicidade cultural e étnica da Parada SP.

Rio – A cantora Elza Soares, eterna aliada do movimento LGBTI, prestigiando a parada carioca.

São Paulo – Os corpos LGBTI+ que resistem contra a interdição, o preconceito e a homotransfobia.

Rio – A travesti Laura de Vison na Parada. Icônica e extravagante, foi a maior campeã do show business carioca. Seu espetáculo ficou 20 anos em cartaz no Cabaré Bohêmio.

Rio – O humor e irreverência na Parada carioca: abduziram a imagem do poeta Carlos Drummond de Andrade.

São Paulo Miss Biá, transformista histórica da comunidade LGBTI+ de SP, que faleceu de covid-19.

São Paulo – A drag Cacá di Polly, presença marcante na Parada Paulista, teve uma atuação decisiva para a realização da primeira Parada do Orgulho LGBTI+ no Brasil.

São Paulo – A comunidade Leather sempre marcando presença na Parada do Orgulho, com todos os acessórios a que se tem direito.

São Paulo – A campanha de prevenção contra o HIV/Aids e outras ISTs durante a Parada, feita de maneira lúdica e alegre.

São Paulo – Pessoas aliadas de todas as idades confraternizando na Parada SP.

Rio -A Parada LGBTI da Rocinha. Ocupou as ruas da maior favela do Brasil de maneira ordenada e pacífica.