O ministro da Educação, Milton Ribeiro, voltou a fazer pronunciamentos LGBTIFóbicos ao se posicionar contra o ensino da diversidade sexual e de gênero nas escolas do País, uma bandeira levantada ainda na campanha pesidencial de Jair Bolsonaro (PL). Durante evento de lançamento para o reality show Merendeiras do Brasil, na última terça-feira (8), ele disse que “coisa errada se aprende na rua” e que não vai “permitir que um professor chegue na sala e diga que se ele nasceu homem e, se quiser ser mulher, pode ser mulher”.

“Nós não vamos permitir que a educação vá para um caminho de tentar ensinar coisas erradas para as crianças. Coisa errada se aprende na rua. Dentro da escola, a gente tem que aprender o que é o caminho bom, o correto, o civismo, o patriotismo, as coisas certas. […] Não vou permitir, enquanto eu for ministro, que ninguém violente a inocência das crianças nas escolas públicas”, disse Milton Ribeiro.

Logo na sequência, o ministro voltou a criticar a presença de professores transexuais na sala de aula: “Não tem esse negócio de ensinar ‘ah, você nasceu homem e pode ser mulher’. Respeito todas as orientações. Uma coisa é respeitar, agora incentivar é um outro passo. Nós não vamos permitir crianças de 6 a 10 anos, que um professor chegue na sala e diga que se ele nasceu homem e, se quiser ser mulher, pode ser mulher”.

Assista ao momento abaixo:

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“Isso eu falo publicamente mesmo. Por isso que meu processo já está lá no STF. Eu não tenho vergonha de falar isso”, comentou Ribeiro. Ainda em fevereiro, a Procuradoria-Geral da República denunciou o ministro por homofobia ao Supremo Tribunal Federal graças a entrevista entrevista concedida ao Estadão, na qual ele disse que gays são fruto de “famílias desajustadas”.

Na mesma ocasião, o ex-pastor Milton Ribeiro confessou ter “certas reservas” em relação a professores transexuais em sala de aula. E, apesar de declarar que “respeita, mas não concorda” com a “opção” de quem é homossexual, o responsável pelo MEC disse ainda ser a favor de levar essa discussão para a escola como forma de prevenir o bullying, mas classificou o problema como “opinião”. “Por esse viés, é claro que é importante mostrar que há tolerância, mas normalizar isso, e achar que está tudo certo, é uma questão de opinião.”

A entrevista de 2020 rendeu uma condenação na Justiça Federal de São Paulo, que determinou que o governo federal pagasse uma multa de R$ 200 mil pela fala homofóbica do ministro. Já o comentário desta semana rendeu uma nova notícia-crime enviada à PGR por grupos e coletivos de apoio à comunidade LGBTI+, como a Aliança Nacional LGBTQIA+, o Grupo Dignidade e a Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas.