Preste a voltar ao Brasil como headliner do The Realness Festival, no próximo dia 29, Brooke Lynn Hytes, 40, conquistou uma trajetória única na cena drag mundial quando chegou à final da 11ª temporada regular de RuPaul’s Drag Race, em 2019.
Em sua primeira participação na premiadíssima franquia multimilionária criada por RuPaul Charles, Brooke, uma bailarina treinada na Escola Nacional de Balé do Canadá, fez história e mostrou que não passaria incólume entre as, hoje, mais de 800 participantes do reality.
Um dos pontos altos da sua trajetória aconteceu ao lado de Yvie Oddly, quando elas apresentaram um lip synch tão impactante de “Sorry Not Sorry” (Demi Lovato) que conquistaram um raríssimo shantay, you stay duplo. (Para leigos, significa que elas foram tão boas que foi impossível eliminar qualquer uma.)
Brooke Lynn Hytes terminou a edição como vice-campeã e, sem muita demora, voltou à franquia como apresentadora e jurada da edição canadense do programa. Sete temporadas, dois spin offs, um All Stars e algumas turnês internacionais depois, Canada’s Drag Race e sua estrela principal são um fenômeno de audiência e mais um case de sucesso cimentado na história do reality show.
“É definitivamente um trabalho difícil, mas é um trabalho para o qual você precisa crescer e encontrar a si mesma. E eu também cresci enquanto fazia isso”, avalia Brooke durante uma videochamada com a Híbrida. “A cada ano que faço isso, me sinto um pouco mais à vontade no papel. E acho que dá para perceber isso.”
Na entrevista abaixo, Brooke Lynn Hytes fala sobre o amadurecimento que viveu na sua trajetória de participante a jurada, o boom da cena drag canadense, sua gratidão à equipe do Canada’s Drag Race, adianta alguns spoiler do que vai apresentar no The Realness Festival e ainda comenta sobre as queens brasileiras: “Elas são performers ferozes. Essa é a minha principal impressão sobre as queens brasileiras”.
HíBRIDA: Brooke, quero começar perguntando sobre Canada’s All Stars. O que você acha que é diferente no All Stars em relação às temporadas regulares anteriores do Canadá?
Brooke Lynn Hytes: É difícil quando você faz uma temporada regular porque a maioria dessas queens nunca fez televisão ou reality show antes. Então você entra no werk room e, de repente, existem todas essas câmeras por todos os lados, e você fica tipo: “O quê?”. É uma situação muito estressante, que te pega de surpresa.
Então acho que a diferença é que, quando você vem para o All Stars, sabe onde está entrando, está preparado para isso e já fez antes. Então é mais fácil. Existe uma certa tranquilidade e acho que elas ficam um pouco mais relaxadas e conseguem ser elas mesmas.
Obviamente, o nível de drag aumentou, e todo mundo ganhou novos rostos, maquiagem nova… É maravilhoso!
H: E você acha que é mais difícil julgar o All Stars do que as temporadas regulares?
BLH: Talvez um pouco, porque tudo foi elevado tanto que você realmente precisa… É mais uma questão de ficar procurando detalhes, eu diria.

H: E você já é jurada há alguns anos. Existe alguma coisa que seja mais difícil em ser jurada? É um desafio que conseguiu superar?
BLH: Sim, acho que… Ao longo das temporadas, obviamente, a cada temporada que faço, fico um pouco mais confortável comigo mesma e um pouco mais confortável fazendo isso.
É definitivamente um trabalho difícil, mas é um trabalho para o qual você precisa crescer e encontrar a si mesma. E eu também cresci enquanto fazia isso. Ainda estou aprendendo e evoluindo como pessoa. Então acho que, a cada ano que faço isso, me sinto um pouco mais à vontade no papel. E acho que dá para perceber isso.
H: Eu estava pensando sobre a existência de All Stars do Canadá que existe agora, e isso é realmente um testemunho do crescimento da cena drag no Canadá. É diferente de quando você começou? Existem mais queens ou…?
BLH: Ah, sim! Existem muito mais drag queens agora do que quando eu comecei. E o nível do que as meninas estão fazendo hoje… Quando comecei a fazer drag em Toronto, eu era a única garota que fazia espacates, chutes e aqueles truques. Era eu e talvez mais uma garota, mas não era algo normal.
Agora você sai por aí e todas as garotas estão tipo “trá trá trá”, se jogando para todos os lados. E eu fico: “Ainda bem que eu comecei quando comecei, porque não consigo competir com essa merda”.
H: Tenho certeza de que você consegue. (Risos) Na verdade, eu vi você se apresentando no Brasil. Sei que não será sua primeira vez aqui e lembro de ter visto você fazendo o icônico lip sync de “Sorry Not Sorry” aqui em São Paulo.
BLH: Sim!
H: Eu queria saber o que os fãs podem esperar do show deste ano. Se você tem algum truque novo ou se vai trazer as mesmas coisas, como “Sorry Not Sorry”. (Espero que você traga!)
BLH: Não, não vou fazer. Eu já te digo: não vou fazer “Sorry Not Sorry”. Sinto muito em te desapontar! Eu… Acho que vou trazer meu número icônico de O Diabo Veste Prada, porque nunca fiz esse número no Brasil.
H: Eu adoro! Já assisti online. É muito engraçado.
BLH: Então acho que posso trazer meu número de O Diabo Veste Prada. E ainda estou decidindo o meu… Eu sou muito indecisa com meus números, então não sei se vou fazer outra balada poderosa e maravilhosa ou se vou…
Tenho ouvido muito Paramore ultimamente. O Paramore é grande no Brasil?
H: Eu adoro! É muito grande no Brasil. Acho que os três primeiros discos deles são… Na verdade, vamos ter um show da Hayley Williams em novembro, da carreira solo dela. Então, sim, é muito grande aqui.
BLH: Então talvez eu faça Paramore. Vamos ver.
H: Existe alguma coisa específica na cena drag brasileira que você tenha percebido, já que esteve aqui tantas vezes, sobre as queens?
BLH: Quer dizer, elas são performers ferozes. Essa é a minha principal impressão sobre as queens brasileiras: elas são performers realmente, realmente boas.
H: E existe alguma coisa que você ainda não tenha visto no Brasil e queira conhecer desta vez?
BLH: Ah… Não me vem nada à cabeça. Não sou muito boa em ser turista. Eu só gosto de caminhar pela cidade, aproveitar e conhecer todos os lugares. Então vou simplesmente caminhar por aí e aproveitar.
H: Só para terminar: você tem alguma declaração final sobre a temporada de All Stars? Se pudesse resumir em uma frase, qual foi a experiência para você, já que estamos chegando ao fim?
BLH: Eu só gostaria de dizer às nossas incríveis queens do All Stars o quanto estou absurdamente orgulhosa de vocês. Eu diria que vocês fizeram uma das melhores temporadas de Drag Race de todos os tempos.
Sério, do começo ao fim, foi um verdadeiro nocaute. E isso se deve, em grande parte, a vocês terem aparecido e feito o trabalho.
Quero agradecer à nossa incrível equipe de produção, às pessoas que comandam o programa, aos nossos produtores executivos, aos diretores dos desafios e a todas as pessoas responsáveis por fazer tudo acontecer nos bastidores.
A criatividade deles e as coisas que eles inventam para esses desafios, para essas queens realizarem, são sempre tão diferentes e renovadoras. E as reviravoltas que eles colocam em tudo…
Estou simplesmente muito orgulhosa do meu país e da minha franquia. E então eu tenho a oportunidade de meio que comandar tudo isso — especialmente podendo fazer isso ao lado de duas das nossas vencedoras icônicas: a nossa vencedora icônica Priyanka e a icônica vencedora do All Stars dos Estados Unidos, Jimbo.
Tê-las ali foi simplesmente a cereja do bolo. Foi a temporada mais mágica de se filmar.
E eu realmente espero que todo mundo envolvido esteja extremamente orgulhoso de si mesmo, porque deveria estar.
H: Também foi um prazer assistir.
BLH: Obrigada. Fico feliz.
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Brooke Lynn Hytes fala sobre Realness, Canada’s Drag Race e queens brasileiras