O primeiro turno das eleições gerais de 2026 acontece neste domingo (4), quando as urnas ficam abertas entre 8h e 17h, prontas para receberem os eleitores em todo o país. O pleito deste ano já é considerado um marco histórico para a representatividade política no Brasil, graças às 531 candidaturas de pessoas que se autodeclararam LGBTQIA+.

Isto porque, pela primeira vez, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) incluiu as opções de “orientação sexual” e “identidade de gênero” como campos a serem preenchidos durante o processso de registro para as eleições gerais. Ainda que haja um certo ineditismo com a proposta, já é posssível concluir que as pessoas LGBTQIA+ representam cerca de 2,5% do total das candidaturas deferidas no país.

Essa baixa representatividade também se reflete na corrida pelo cargo mais alto do Executivo brasileiro. Além de não haver nenhuma candidatura LGBTQIA+ à Presidência ou Vice-Presidência, apenas quatro dos 14 candidatos apresentam propostas diretas para a população LGBTQIA+ em seus planos de governo. São eles:  Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU) e Edmilson Costa (PCB).

Distribuição por orientação sexual e identidade de gênero

Analisando o universo de 531 registros no TSE, as pessoas bissexuais lideram as estatísticas quando fazemos o recorte por orientação sexual e/ou identidade de gênero. Isoladas, elas somam um total de 153 candidaturas.

Logo em seguida, são contabilizados os homens gays, que estão representados em 140 candidatos, enquanto as pessoas trans somam 107 registros segundo os dados oficiais na Justiça Eleitoral.

O levantamento oficial se completa com 95 candidaturas de mulheres lésbicas, 25 de pessoas pansexuais e 11 pessoas autodeclaradas como assexuais.

A grande maioria dessas candidaturas está concentrada na disputa por vagas no Legislativo, principalmente para os cargos de Deputado Estadual e Deputado Federal.

Confira aqui todas as candidaturas LGBTQIA+ em 2026.

O avanço das candidaturas trans e travestis nas eleições 2026

Além dos dados do TSE, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) realizou um mapeamento independente e focado apenas no recorte da identidade de gênero. Assim, a organização registrou 116 candidaturas de pessoas trans ou travestis este ano.

O dado representa um aumento expressivo de 1.540% em comparação com o pleito de 2014. Naquele ano, o primeiro levantamento da Antra havia mapeado apenas 7 candidaturas de pessoas transexuais e travestis em todo o Brasil.

Quais partidos têm mais candidatos LGBTQIA+?

O cenário partidário mostra uma concentração maior de candidaturas da comunidade no espectro da esquerda e centro-esquerda. O PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) é o partido com o maior número, registrando 139 candidatos.

O Partido dos Trabalhadores (PT) vem em segundo lugar, com 101 registros. A lista segue com o PDT (Partido Democrático Trabalhista, 55 candidaturas LGBTQIA+), PSB (Partido Socialista Brasileiro, 40) e Unidade Popular (29).

Partidos de outras posições do espectro político também pontuam, como o MDB, com 21 candidaturas, e a REDE, com 18. A categoria “Outros”, que agrupa legendas com até 3% das candidaturas cada, soma 128 nomes.

 

O cenário por região

No recorte regional dos dados gerais do TSE, o Sudeste lidera o ranking de representatividade, com 161 candidaturas da nossa comunidade registradas.

Depois, a região Nordeste aparece logo atrás, somando 139 candidaturas. O cenário nacional se completa com a região Sul, Centro-Oeste e Norte, que concentram respectivamente 91, 79 e 60 candidaturas LGBTQIA+ dentre o total de nomes autodeclarados.

Quando olhamos especificamente para o mapeamento da Antra sobre pessoas trans e travestis, a concentração dessas candidaturas segue concentrada majoritariamente no Sudeste e no Nordeste, ambos com 35 candidaturas.

E, na sequência, aparecem o Sul (29), o Centro-Oeste (14) e, por fim, a região Norte, com 6 candidaturas.