O Montage está de volta! A banda cearense de electropunk, formada por Daniel Peixoto e Leco Jucá, volta aos palcos em 2025 para comemorar os 20 anos do seu primeiro álbum, The Good Boys . O retorno mal foi anunciado e já chega com dois shows marcados para este mês de janeiro, além de planos para o lançamentos de músicas novas e remixes inéditos dos hinos já conhecidos pelos fãs.

O timing para a volta do Montage não poderia ser mais perfeito. Em meio ao revival dos anos 2000 — com a popularização do que se convencionou chamar de indie sleaze até o retorno das temidas calças de cintura baixa —, a década que foi sinônimo de experimentação e ousadia está mais presente do que nunca no imaginário das novas gerações. E o Montage, nome relevante da cena eletrônica brasileira, se prepara para continuar deixando sua marca nessa história.

“Os anos 2000 estão muito fortes na cultura pop como um todo, especialmente na música”, reforça Peixoto à Híbrida, destacando Charli xcx e Anitta como exemplos do resgate das sensibilidades estéticas dessa era. “Se olharmos para o que aconteceu nos últimos 12 meses, brat foi o disco do ano, e ele tem muito a ver com a nossa sonoridade — a presença dos synths pesados, do electrorock, das melodias de voz não serem tão harmônicas…… Depois veio a Anitta com referências ao Cansei de Ser Sexy, que foi nossa contemporânea. O álbum Funk Generation já parece super conectado com o que o próprio Montage e o Bonde do Rolê faziam naquela época.”

A ideia de revival do Montage não é exatamente uma novidade. Ao longo da última década, a banda chegou a se reunir para alguns shows específicos. Quando completaram 18 anos de carreira, em 2023, os primeiros planos para uma volta em grande estilo surgiram, mas acabaram adiados com o lançamento de Tropiqueer, último álbum solo de Peixoto.

Agora, porém, mostrou-se impossível ignorar o movimento espontâneo nas redes sociais. De acordo com o cantor, a decisão ganhou impulso graças ao crescente interesse de um novo público: “Começamos a notar um público muito jovem, que não era o mesmo de 20 anos atrás, redescobrindo o Montage por meio de músicas e vídeos. Isso acendeu uma luz na nossa cabeça”.

Os shows de celebração dos 20 anos da banda acontecerão em São Paulo e na cidade natal da dupla, Fortaleza. “Essas são só as primeiras das muitas novidades que estamos preparando no nosso caldeirão electropunk”, revela Daniel, que adianta ainda que clássicos como “Ode to My Pills”, “Raio de Fogo” e “I Trust My Dealer” não ficarão de fora.

Em São Paulo, o grupo se apresenta no dia 18 de janeiro, integrando a programação dos 14 anos da festa de música eletrônica Carlos Capslock, ao lado de artistas como Jaloo, Jup do Bairro, Eli Iwasa e do alemão DJ Hell. Os ingressos estão à venda no Ingresse.

Já em Fortaleza, o show acontece no dia 31 de janeiro como parte do Estação Férias, programação de verão do governo estadual com entrada gratuita.

“A gente acha que o mundo tá muito careta, muito conservador. Queremos voltar a botar o dedo na ferida, dar uma esculhambada nisso”, afirma Peixoto, refletindo sobre o momento atual e o espírito provocador que sempre marcou – e promete continuar marcando – o trabalho do Montage.

Daniel Peixoto e Leco Jucá, do Montage (Foto: Divulgação)
Daniel Peixoto e Leco Jucá, do Montage (Foto: Divulgação)

Sobre o Montage

Montage é uma banda cearense que surgiu em meados dos anos 2000, revigorando a cena eletrônica brasileira junto a nomes como Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê. A atitude punk de Peixoto, junto às letras irreverentes e o pulsar dos sintetizadores mostraram que o electroclash e o electropunk, tão característicos das pistas de dança daquela época no exterior, também poderiam ser produzidos com qualidade no país.

Em 2007, quando alcançaram reconhecimento internacional, um jornalista do The Guardian chegou a chamar Daniel de “David Bowie brasileiro do século XXI”. Na mesma época, a edição nacional da revista Rolling Stone definiu a banda como “Iggy Pop do semiárido”. 

Entre tantos elogios, o Montage também foi eleito por duas vezes seguidas como dono do melhor show do país pela Folha de São Paulo, sendo apontado pela revista BIZZ como “banda que faltava no cenário musical há, pelo menos, 18 anos”, e dividiu line-ups com artistas como Björk, The Killers, Arctic Monkeys, Justice, Hot Chip e Digitalism.