Fazer uma lista com as mellhores músicas do ano nunca é fácil. Para a nossa seleção de 2024, a tarefa foi ainda mais difícil. Entre janeiro e dezembro, a cultura pop e LGBTQIA+ foi marcada por expoentes que furaram a bolha e atingiram o mainstream no Brasil e no mundo. Foi o caso de brat, que levou a cena clubber para o centro da discussão nos Estados Unidos, e também do Funk Generation e do Batidão Tropical Vol. 2, os trabalhos de Anitta e Pabllo Vittar que focaram na ressignificação de gêneros já conhecidos do público brasileiro.
Abaixo, confira a seleção que a equipe da Hìbrida fez com as mehores músicas lançadas em 2024 que movimentaram a comunidade LGBTQIA+. Para se aprofundar na cena e conhecer ainda mais os nomes que movimentaram o nosso som ao longo do ano, confira a coluna Playlist. Deixamos aqui também uma playlist com as 50 melhores músicas.
15. Ana Carolina – “Malandragem”
Ana Canta Cássia, álbum da juiz-forana Ana Carolina cantando o repertório de Cássia Eller, teve como primeiro single “Malandragem”, canção de Cazuza e Frejat que estourou na voz da nossa saudosa cantora. O clipe foi registrado ao vivo na última turnê, com direção de Jorge Farjalla, e traz Ana fazendo o que faz de melhor: domando um violão. Foi assim que ela estourou, aqui em Minas, lotando os barzinhos e arrastando uma multidão de sapatões apaixonadas.
14. Pepita, Mel Gonçalves e Raquel – “Pra Nós”
Pepita, Mel Gonçalves e Raquel formaram um trio poderoso de artistas trans e lançaram juntas o single “Pra nós”, continuidade da ação Billboard Over 30, publicação de janeiro, mês da Visibilidade Trans, com 30 nomes de trans e travestis que são destaques em suas áreas de atuação. “Pra nós” nasce como hino da iniciativa que celebra pessoas trans que venceram a barreira dos 30 anos.
13. Gloria Groove – “Nosso Primeiro Beijo (Ao Vivo)”
Invencível no R&B, Gloria Groove satisfez a vontade dos fãs com o Serenata da GG, uma coletânea de pagodinhos românticos. O volume duplo cai como uma luva pra quem quer curtir uma dor de cotovelo ou dançar coladinho dois pra lá e dois pra cá.
12. Hiran e Gabi Lins – “Miudinho”
O baiano Hiran se uniu à também baiana Gabi Lins para lançar a faixa “Miudinho”, que antecede seu próximo álbum, que chega em novembro, seu projeto mais solar e pop até hoje. A faixa veio acompanhada de clipe, já trazendo o tom romântico e descontraído que colore o novo disco. “Miudinho” é uma lovesong sensual e suingada que tem a cara do verão.
11. L’HOMME STATUE – “Révolution (BADSISTA Remix)”
O projeto L’homme Statue, do multi artista afro-francês radicado no Brasil Loïc Koutana e do produtor e DJ brasileiro Pedro Zopelar, acaba de lançar o EP Révolution, que abre nova era depois do álbum de estreia SER. “Révolution” é um lançamento em colaboração com o selo do coletivo paulistano Gop Tun. Aqui, hitou a versão de BADSISTA.
10. Pedro Sampaio e Marina Sena – “Escada do Prédio”
ASTRO, segundo disco de Pedro Sampaio, veio recheado de músicas prontíssimas pras tocar nas pistas de dança. “Escada do Prédio”, parceria com Marina Sena, reúne os melhores elementos disso: uma batida envolvente, versos transbordando tesão, refrão pegajoso e, de quebra, uma pitada romântica de sax.
9. Duda Beat – “teu beijo”
Duda Beat provou mais uma vez porque é uma das artistas mais versáteis de sua geração com Tara e Tal, seu último disco de estúdio. Entre a produção refinada e o clima de ode a Fernanda Abreu, o disco encontra seu ápice com “teu beijo”, na qual Duda retoma o drum and bass característico dos anos 2000 enquanto atualiza a sonoridade com a inserção de uma guitarra pulsante.
8. Noporn e Jup do Bairro – “Noite Triste”
Tudo tem o seu momento, e agora foi o propício para a gente “dançar com você”, Liana Padilha. A ocasião é um par de singles que o seu parceiro de Noporn, Lucas Freire, lançou em setembro, depois da partida da diva do spoken word, em março, através do EP I know you. E como não tinha sido lançado antes esse feat das estrelas de Liana e Jup do Bairro, em “Noite triste”, que já chegou como uma das melhores faixas do ano, na mesma pegada do hit “Tropicalismo dark”, a última faixa lançada antes do adeus.
7. Mart’nália e Luiza Sonza – “Cheia de Manias”
Pagode da Mart’nália, disco no qual a artista regrava os maiores clássicos do gênero, é um presentão para os fãs de ambos. “Cheia de Manias”, um hit lançado há mais de 20 anos e literalmente atemporal, fica ainda mais romântica e o digui-digui-diguiê mais especial com a participação de Luiza Sonza cantando baixinho nos vocais.
6. Anitta – “Capa De Revista”
Não bastasse as canetadas do Funk Generation, Anitta lançou no fim do ano Ensaios da Anitta, um disco com cara de EP em que traz regravações dos seus amados hits antigos e novas apostas para a maratona de shows que vai fazer no verão brasileiro. Dentre as novidades, uma das queridinhas é “Capa de Revista”, na qual ela pega emprestado o flow de Fernanda Abreu em SLA Radical Dance Disco Club (1990) pra cantar o quanto é foda, inteligente e dá pra muita gente (inclusive um machista!).
5. Valesca Popozuda, Mousik e Ya Malb – “XXT na XXT”
Diva maior do funk nacional, Valesca Popozuda lançou um duo de EPs, De Volta Pra Gaiola (Amor de Verdade) e De Volta Pra Gaiola 2 (Amor). Ela diz que uma das versões é light e canta sobre experiências homossexuais em “XXT na XXT”, com “XXT no pensamento”, aquela “tesourinha de leve”, pedindo “vem com o dedinho, dois dedinho, três dedinho”, no “modo cachoeira” e em “uma piscina que nem precisa de banheira”.
4. Ivete Sangalo e Ludmilla – “Macetando”
Mais que acostumadas a enfileirar um hit atrás do outro, Ivete Sangalo e Ludmilla uniram forças para entregar a música que marcou o carnaval de 2024. Só deu “Macetando” nos blocos e trios, e ninguém pareceu se importar com a repetição da letra ou significado – prova de um verdadeiro hit que serviu o seu propósito de alienação em meio à maior festa do país.
3. Pabllo Vittar – “Me Usa”
Pabllo Vittar voltou às raízes em 2024. Após colocar todos para dançar e se jogar no pós-pista com After, a drag decidiu se reconectar com suas influências musicais para o aguardado Batidão Tropical 2. Em “Me Usa”, canção originalmente gravada pela Banda Magníficos, Pabllo mantém o equilíbrio perfeito entre o moderno e o tradicional, enquanto se derrete de amor por uma paixão.
2. Silva e Leci Brandão – “Amanhã de Manhã (Para Lecy)”
Dono de uma tranquilidade invejável, Silva faz uma rara e merecida homenagem a Leci Brandão na parceria “Amanhã de Manhã (Para Lecy)”. Leci, que completou 80 anos em 2024, é uma lenda viva do samba e da música brasileira, primeira mulher compositora da Mangueira e primeira cantora conhecida a se declarar como lésbica, ato pelo qual ainda não recebe todas as reverências necessárias. Nesse dueto delicado e emocionante, o encontro de gerações transcende o tempo para encher nosso coração com a esperança de que “de manhã, tudo vai melhorar”.
1. Liniker – “Caju”
Com “Caju” – tanto a faixa, quanto o disco -, Liniker reafirmou sua potência na cena musical contemporânea, misturando lirismo com sua potência vocal, enquanto incorpora uma mistura à brasileira do R&B e da MPB. Irresistível, a canção é uma das produções mais ricas do ano.
15. Tinashe – “Nasty”
2024 trouxe um presente para os fãs de pop e R&B: Tinashe, a queridinha da crítica especializada, mas relegada pelo mainstream, voltou a ganhar destaque nas principais paradas musicais. Com “Nasty”, a cantora de 31 anos tornou-se viral no TikTok e além, explorando seus desejos e sensualidade sob a produção de Zack Sekoff e Ricky Reed. Não sabemos sse ela já encontrou alguém que “combinasse com seu lado louco”, mas torcemos para que o próximo ano traga ainda mais sucessos comerciais para Tinashe.
14. Kesha – “JOYRIDE”
Finalmente livre das suas obrigações contratuais com Dr. Luke, o produtor que acusou de abuso e com quem passou anos brigando na justiça, Kesha finalmente está pronta para retomar o pop chiclete alegre, excitante e provocador que rendeu uma penca de hits em seus dois primeiros discos. “JOYRIDE” é exatamente isso: uma música divertida e confiante, que tem alguns versos fracos e meio constrangedores, mas funciona muito bem para animar uma balada, habitat natural da artista.
13. Sophie feat. Evita Manji – “Berlim Nightmare”
Uma das artistas mais celebradas e influentes da última década, Sophie reafirmou a versatilidade do seu legado musical através do disco SOPHIE, lançamento póstumo que chegou quase quatro anos após a sua morte em um acidente trágico. “Berlim Nightmare”, um dos singles de divulgação e o ponto alto do disco, entrega exatamente o que você imagina pelo título. Com a ajuda de Evita Manji, a faixa é um techno que chamamos de “eletrônica chic”, alinhando entre graves pesados e sintetizadores distorcidos. O tipo de som que comanda o ouvinte a prestar atenção e, inevitavelmente, render-se à pista de dança, uma característca irresistível do trabalho de Sophie e também um dos seus maiores legados para a cultura. (Leia a crítica completa do disco aqui).
12. Sabrina Carpenter – “Taste”
Sabrina Carpenter foi certamente um dos grandes nomes de 2024, despontando em faixas como “Espresso”, “Please Please Please” e “Taste”. Esta última, destaque desta lista, é uma homenagem cheia de humor ao pop rock dos anos 1990, com Sabrina aproveitando para alimentar os rumores sobre o triângulo amoroso que viveu com Shawn Mendes e Camila Cabello. O clipe, ainda mais memorável, faz uma releitura divertida do clássico A Morte Lhe Cai Bem, reforçando o carisma e a sagacidade que marcaram a trajetória da loirinha neste ano.
11. Romy – “Enjoy Your Life”
Última integrante do The XX a lançar um projeto solo, Romy fez a espera valer a pena com seu primeiro disco, Mid Air. Disfarçando versos dilacerantes com batidas irresistíveis, a artista usa o tom introspectivo e inconfundível da sua voz para cantar as dores e encontrar refúgio nas pistas de dança. “Enjoy Your Life”, produzida com o amigo Jamie XX e a lenda Stuart Price, é um convite irrecusável para você fazer o mesmo.
10. FKA Twigs – “Eusexua”
Descrito como um sentimento de “transcendência”, Eusexua é também o título do aguardadíssimo próximo disco de FKA Twigs, no qual a artista promete mergulhar de cabeça na cena eletrônica e ao mesmo tempo dividir suas inseguranças e desejos mais íntimos. A faixa-título é uma ode acelerada e inquietante às suas fragilidades e carências, na qual ela abusa da delicadeza de sua voz para evocar a mesma resiliência no ouvinte. Antes do fim, ela usa o seu truque habitual e quebra o ritmo para entregar quase acapella a confissão mais vulnerável da música.
9. Addison Rae – “Diet Pepsi”
Para muitos, Addison Rae protagonizou o “rebranding” mais surpreendente de 2024, saindo de piada da indústria para artista apadrinhada por nomes potentes como Charli XCX e Arca, sendo até chamada de “próximo grande nome do pop”. Para outros, seu potencial já era claro desde o single de estreia, “Obsessed”, em 2021. Independente de onde você se posiciona, é difícil negar que “Diet Pepsi” é uma das músicas mais viciantes do ano. Com uma vibe à la Lana Del Rey e um clipe assinado por Sean Price Williams, Addison não só entregou ao público uma faixa excelente, mas também provou que seu carisma se estende para além dos vídeos de dancinha no TikTok.
8. Anitta – “Lose Ya Breath”
Este foi o ano em que finalmente ouvimo o muito anunciado e aguardado projeto autoral de funk da Girl From Rio. Demorou, mas Funk Generation é tudo que os brasileiros esperavam de Anitta e ainda mais. Apesar de ter enfiado uns singles antigos e avulsos no escopo geral, o trabalho ainda soa coeso e passeia por diferentes vertentes do funk, mostrando a versatilidade do gênero e da artista. “Lose Ya Breath” já abre o trabalho jogando a serotonina lá no alto e entregando aos gringos aquilo que faz o Brasil dançar há décadas.
7. Beyoncé e Miley Cyrus – “II MOST WANTED”
É indiscutível que Cowboy Carter redefiniu este ano o conceito do que a música country é, pode ou deveria ser nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o esforço de Beyoncé em explorar suas raízes e todas as vertentes do gênero acaba jogando a artista na contramão do seu álbum anterior, o excelente Renaissance, e rende poucos, discretos e quase imperceptíveis acenos à sua base de fãs LGBTs. O maior, melhor e mais inesperado desses momentos acontece em “II MOST WANTED”, seu surpreendente dueto com Miley Cyrus. Na música, as duas artistas, ambas nascidas em estados ultraconservadores do sul dos EUA, cantam em perfeita harmonia sobre um amor incondicional que parece levemente inspirado em Thelma & Louise e foi recebido por parte do público como um hino lésbicas, ainda que isso não seja explícito.
6. Sevdaliza, Pabllo Vittar e Yseult – “Alibi”
Velha conhecida do da galera indie e underground, a neerlandesa Sevdaliza atingiu o ápice da sua carreira com o lançamento do remix de “Alibi”, que conta com o reforço de Pabllo Vittar e da francesa Yseult. A harmonia vocal das três artistas eclode num dos refrões mais irresistíveis e envolventes de 2024, que ainda tem boas chances de manter o fôlego até o próximo carnaval. A música ainda rendeu a Pabllo sua primeira entrada na Hot 100 da Billboard.
5. Lady Gaga – “Disease”
Demorou, mas Lady Gaga finalmente parece disposta a retomar o pop excêntrico que a consagrou como a popstar mais interessante no final dos anos 2000. Produzida pela própria em parceria com Cirkut e o genial Andrew Watt, “Disease” mistura baixos, guitarras, baterias e sintetizadores pesados para anunciar aos berros o sétimo disco de inéditas da Mother Monster. A música é recheada com melismas e piruetas vocais, lembrando alguns dos seus trabalhos antigos mais marcantes, como “Judas” e “Bad Romance”. Agora, entretanto, os versos sobre encarar e aceitar seus próprios demônios evocam uma performance amplificada de Gaga, que não poupa esforços nem nos backing vocals para deixar claro que felizmente está de volta.
4. Ariana Grande – “yes, and?”
Antes de dominar a atenção da mídia e do público com uma campanha massiva e… peculiar? divulgando Wicked pelo mundo, Ariana Grande entregou no início do ano eternal sunshine, um disco redondo no qual assumiu sua skin de popstar para saciar os fãs e seu apetite musical. A produção musical e vocal do álbum é majoritariamente ancorada no R&B, uma das principais referências da artista, flertando aqui e ali com o pop e o house. Escolhida como carro-chefe e divulgação, “yes, and?” é uma faixa que passa longe dessa fórmula para apostar alto no house. Apoiada pelas já previsíveis e bem-vindas whistle notes, um clipe com coreografia excitante e referências diretas a Paula Abdul, Ariana supera o divórcio de queixo erguido e língua afiada, riscando o chão com seu salto alto e levantando o dedo do meio para quem acompanha e critica os relacionamentos afetivos da sua vida pessoal. Mas é o remix com Mariah Carey a cereja desse bolo já delicioso, que finalmente matou a fome dos fãs por uma colaboração inédita das duas divas (o remix da natalina “Oh, Santa” não conta). O encontro de gerações já valeria a pena só pela forma como elas abrem a faixa harmonizando perfeitamente em tons hiperagudos, mas ouvir Mariah cantando “por que você se importa com qual pau eu cavalgo” torna o momento ainda mais icônico. Para MC, a parceria funciona como uma boa introdução a novas gerações, lembrando o mundo que ela não é uma artista restrita ao Natal e, na verdade, tem um sólido catálogo de house. Já Ariana recebe a bênção direta de um ícone atemporal, com quem foi frequentemente comparada e que, agora, valida ainda mais seu status como uma das maiores vocalistas dessa geração.
3. Billie Eilish – “LUNCH”
No ano em que assumiu publicamente se interessar tanto por meninos, quanto meninas, Billie Eilish abraçou de vez a atração homoafetiva com “LUNCH”, primeiro single de seu último álbum, Hit Me Hard and Soft. Parceria com o irmão Finneas, a música desenha cenas de um jogo de sedução, acompanhadda por um baixo irresistível e o vocal hipnotizante já característico da cantora.
2. Charli xcx feat. Lorde – “Girl, so confusing”
Quando brat foi lançado, muitos apontaram Lorde como a grande inspiração por trás da letra de “Girl, so confusing”. A suspeita se confirmou quando Charli xcx revelou que a neozelandesa participaria do remix da faixa. O que ninguém esperava, porém, era que a contribuição de Lorde fosse tão vulnerável, revelando um lado frágil que contrastou perfeitamente com o estilo futurista de Charli. Juntas, elas transformaram a música em um diálogo aberto, mostrando que o pop, mesmo recheado de sintetizadores e autotune, pode ser um espaço genuíno para a emoção e a honestidade.
1. Chappell Roan – “Good Luck, Babe!”
“Good Luck, Babe!” é Chappell Roan no auge de sua energia pop maximalista. A música, de refrão explosivo e com sintetizadores pulsantes influenciados pelos anos 1980, é um desabafo feroz sobre se libertar de relacionamentos desgastantes, onde Chappell demonstra porque foi, merecidamente, um dos grandes nomes de 2024.