Lenda precursora do bate-cabelo e um dos nomes mais respeitados da cena drag, Márcia Pantera será o tema do próximo filme de Marcelo Caetano, diretor de Baby (2024) e Corpo Elétrico (2017). O documentário já está sendo filmado de forma independente e tem previsão de estreia para 2027, com distribuição da Vitrine Filmes.
Caetano conta à Híbrida que a ideia surgiu da própria Pantera, que um dia ligou pra ele e sugeriu o filme após assistir ao documentário Bixa Travesty, sobre Linn da Quebrada.
“A partir disso, a gente foi criando uma coisa juntos. É um filme um pouco híbrido, com uma parte também musical ficcional. Não é só um documentário clássico, tem umas experiências dela atuando, com cenas e tudo mais.”
Os dois se conheceram ainda em 2011, quando Caetano convidou Márcio, a mente por trás de Pantera, para atuar no curta-metragem Verona. Poucos anos depois, eles repetiram a parceria em Corpo Elétrico, que rendeu uma cena emblemática de Márcia, toda montada, carregando o protagonista Elias (Kelner Macêdo) na garupa da sua moto.

“É um filme sobre a Márcia hoje e sobre tudo que aconteceu na vida dela, toda essa história muito rica e interessante. E o que ela vislumbra para o futuro, porque a Márcia tá chegando aos 60 anos de idade, né?”
Marcelo Caetano e a equipe do documentário já filmaram algumas cenas do documentário durante o Gongada Drag, em São Paulo, que homenageou Márcia Pantera na noite desta quarta-feira (2). Ao longo da edição, ela recebeu homenagens (e gongadas) de Nany People, Dacota Monteiro, Thália Bombinha, Valenttini, Fernando Pedrosa, Júnior Chico e Alexandre Herchcovicth.
Além das piadas, a noite também serviu para que Márcia recebesse as devidas flores por seu legado e resiliência desde que começou a assumir sua persona, aos 17 anos. Nany, Thália e Valenttini, amigas de longa data da homenageada, fizeram discursos emocionados e emocionantes no palco do Teatro Frei Caneca.

Em entrevista de 2021 à nossa 7ª edição, Movimento, Pantera contou que foi Herchcovitch um dos principais responsáveis por impulsionar sua carreira quando ela começou a se apresentar nas boates da capital paulista, ainda nos anos 1990. Além de desenhar e confeccionar figurinos exclusivos para a artista e amiga, o estilista também incentivou que ela investisse no bate-cabelo como um número fixo de suas apresentações.
“As pessoas achavam que [o cabelo] ia cair, que era peruca. Daí joguei a trança pra frente e, no momento que eu fazia [esse movimento], estalei um chicote. O [Alexandre] Herchcovitch viu e falou que era maravilhoso, que eu precisava fazer de novo”, lembra. “Não foi uma criação só minha, tinha muita gente me ajudando. Mas só tinha eu fazendo esse movimento.”
Na mesma entrevista, Márcia também relembrou os episódios difíceis de quando era adicta e como foi superar o vício nas drogas. “Me matei de todos os lados. Mas decidi ser o Márcio guerreiro e colocar a Márcia Pantera onde ela sempre teve que estar.”

A dualidade de Márcia Pantera e Márcio
No documentário, Caetano pretende mostrar as facetas de Márcia Pantera que extrapolam o icônico bate-cabelo e as acrobacias pelas quais ela ficou conhecida na noite do Brasil e do mundo.
“Ela foi de uma certa forma aprendendo como também diversificar a arte dela, apontar para outros lugares e cada vez mais interessada na produção, na dublagem, no humor”, explica o diretor. “A ideia de filmar a Gongada é um pouco isso, mostrar que ela é engraçada nessa tentativa de não conseguir fazer o humor.”
O tema do filme, ele acrescenta, é mostrar essa “dualidade” entre o personagem e a pessoa. “Como que você é esse personagem que traz tanta luz, traz tanta coisa para você, e ao mesmo tempo você tem que sustentar e manter ele durante muito tempo?”
Márcia Pantera será tema de documentário dirigido por Marcelo Caetano








