A representatividade LGBTQIA+ nas eleições 2026 bateu recorde de votação e de candidaturas eleitas, que quase dobraram este ano, segundo dados do Instituto Plena Cidadania. Ao todo, foram 35 pessoas eleitas através de 10.746.125 votos no último domingo (4), contra 18 da última eleição geral, em 2022.
O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (5) pela organização, responsável pela plataforma VoteLGBT+. A pesquisa aponta que, entre as eleições de 2022 e 2026, houve primeiramente um aumento de 58,7% das candidaturas autodeclaradas, que saltaram de 327 para 519, em todas as 27 unidades da federação.
O crescimento refletiu na quantidade de candidaturas eleitas, que agora se espelham pelo Senado (1), Câmara dos Deputados (13), assembleias legislativas e Câmara Distrital (14).
Ao todo, fomos de oito para 14 estados que conseguiram eleger pessoas LGBTQIA+ para cargos do Legislativo, seis deles pela primeira vez: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Santa Catarina.
A maior parte das candidaturas mapeadas estão no Sudeste, responsável por preencher 25 cadeiras (57.2%), seguido do Nordeste, sete; e Centro-Oeste e Sul, com quatro cada. No Norte, nenhum nome mapeado pela organização conseguiu se eleger.
No Congresso Nacional, a representação LGBT+ na Câmara dos Deputados mais que triplicou, passando de quatro para 13 pessoas eleitas, enquanto o Senado manteve uma representante LGBT+. Nos legislativos estaduais e distrital, foram eleitas outras 21 pessoas.
A representação partidária permanece concentrada no campo progressista. Todas as 35 pessoas LGBT+ eleitas concorreram por partidos de esquerda: o PT (Partido dos Trabalhadores) e o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) reúnem 31 das cadeiras, com 17 e 14 eleitas, respectivamente; na sequência, o PCdoB (Partido Comunista do Brasil) elegeu três candidaturas, e o PV (Partido Verde), uma.
Segundo o instituto, isso reflete como foi feita a distribuição das verbas entre os partidos. Os dados apontam na barreira de acesso ao financiamento das campanhas.
Em 2024, menos da metade das eleitas LGBTQIA+ de partidos de centro e direita contaram com financiamento de campanha vindo de seus partidos. Entre as eleitas filiadas a partidos de esquerda, mais de 80% obtiveram repasse. Neste ano, a falta de recursos e o acesso desigual ao financiamento foi apontado por 76% das candidaturas como principal barreira da disputa.
Candidaturas LGBTQIA+ históricas
Além do aumento no número de candidaturas LGBTQIA+ eleitas, o pleito deste ano também teve marcos históricos de alcance e representatividade da nossa população.
Erika Hilton (PSOL) e Duda Salabert (PT), que em 2022 foram as primeiras deputadas federais trans eleitas na história do Congresso, não apenas se reelegeram este ano, mas Erika ainda quebrou o recorde de mulher mais votada para a Câmara dos Deputados, com mais de 1,5 milhão de votos.
Ainda no Legislativo federal, Thabatta Pimenta (PV) se tornou a primeira deputada federal trans eleita pelo Nordeste. A parlamentar, que antes era vereadora de Natal, foi eleita pelo povo do Rio Grande do Norte com 92.743 votos.
Falando no Rio Grande do Norte, o estado foi o responsável por eleger a única candidatura LGBTQIA+ ao Senado, com Samanda de Lula (PT), a primeira mulher lésbica a ocupar o cargo. Também no Nordeste, Rosa Amorim (PT) foi a mulher mais votada de Pernambuco para a Câmara dos Deputados.
Outra candidatura que merece destaque é a de Rick Azevedo (PT), que conquistou o cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro depois de, ao lado de Erika Hilton, ter sido peça fundamental para começar o debate nacional em torno do fim da escala de trabalho 6×1.
Levantamento de candidaturas LGBTQIA+ nas eleições 2026
O levantamento da VoteLGBT+ é feito através de autodeclaração das pessoas que se candidatam a algum cargo público durante as eleições. Neste sistema, o
A metodologia é a mesma utilizada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que pela primeira vez incluiu em uma eleição geral os termos “orientação sexual” e “identidade de gênero” autodeclarados pelos candidatos (as) na hora do registro. Os bancos de dados, entretanto, não são os mesmos.
Assim, a VoteLGBT+ registrou 519 candidaturas este ano, enquanto o sistema do TSE apontou a existência de 531.
Candidaturas LGBTQIA+ eleitas quase dobram em 2026 e batem recorde de votos