Quando Eddie Redmayne viveu uma mulher trans no filme “A Garota Dinamarquesa“ (The Danish Girl, 2015), parte da crítica especializada e do público o ovacionaram. Indicado às principais categorias do circuito de premiações, como o Oscar, BAFTA e Globo de Ouro, o ator foi elogiado por sua “transformação” , “coragem” e entrega ao papel de Lili Elbe – considerada uma das primeiras mulheres a passar por uma cirurgia de designação sexual da história.
Agora, seis anos depois, com o debate público mais questionador em torno da representatividade da comunidade LGBTI+ na mídia e do transfake, Redmayne confessou que se arrepende de ter aceitado viver a personagem. “Eu não aceitaria atualmente. Eu fiz aquele filme com a melhor das intenções, mas acho que foi um erro”, revelou o ator para o Sunday Times.
![Eddie Redmayne como Lili Elbe em "A Garota Dinamarquesa". O ator recentemente revelou ter se arrependido de ter aceitado o papel [Foto: Reprodução]](https://revistahibrida.com.br/content/uploads/2021/11/lilielbe2-1024x610.jpg)
Na adolescência, Lili se mudou para Copenhague, capital do País, com a intenção de estudar na Real Academia de Belas Artes da Dinamarca. Lá, conheceu a jovem Gerda Wegener (interpretada na versão cinematográfica por Alicia Vikander), com quem acabaria se casando em 1904, aos 22 anos.
Durante o relacionamento entre as duas artistas, Wegener, ilustradora de livros e revistas de moda, encorajava Lili a se vestir como mulher para ser pintada. “Não posso negar, por estranho que pareça, eu gostei de estar nesse disfarce. […] Eu gostava do toque macio das roupas das mulheres. Eu me senti em casa com elas desde o primeiro momento”, escreveu mais tarde. As pinturas fizeram sucesso e, em 1913, foi descoberto que a modelo de Wegener era sua esposa.
![Pintura de Lili feita por sua esposa, Gerda Wegener [Foto: Reprodução]](https://revistahibrida.com.br/content/uploads/2021/11/lilielbe3-1024x610.jpg)
As demais operações, feitas pelo Dr. Warnekros na Dresden Municipal Women’s Clinic [Clínica Municial de Dresden para Mulheres] permitiram que ela mudasse oficialmente seu nome e identidade de gênero, obtendo uma nova certidão de nascimento e passaporte como Lili Ilse Elvenes.
No ano anterior à sua morte, o casamento entre ela e Wegener chegou ao fim por decisão mútua e amigável. Posteriormente, a pintora se envolveu com o negociante de arte francês Claude Lejeune, com quem desejava se casar e ter filhos. De acordo com sua biografia, Lili desejava ser mãe pois, naquela época, era considerado que para ser uma “mulher de verdade”, era necessário ter filhos.
![O túmulo de Lili Elbe restaurado pela Focus Features, produtora do filme "A Garota Dinamarquesa" [Foto: Lili Elbe Digital Archive]](https://revistahibrida.com.br/content/uploads/2021/11/lilielbe4-1024x610.jpg)
Embora não tenha realizado o sonho de ser mãe, Lili pôde viver parte de sua vida da maneira que desejava: como uma mulher. Além do filme “A Garota Dinamarquesa”, sua história também foi retratada no livro “Fra mand til kvinde” [“De Homem Para Mulher”, em tradução livre], lançado em 1931 por Ernst Ludwig Hathorn Jacobson sob o pseudônimo de Niels Hoyer.