Pedro Pascal não só conquistou o público com seu carisma e talento nas telas, mas também se firmou como uma das vozes mais consistentes na defesa da comunidade LGBTQIA+. Antes mesmo de ganhar fama mundial com a série The Last of Us, o ator chileno já chamava atenção por viver Oberyn Martell em Game of Thrones — um personagem bissexual que desafiava convenções de gênero e sexualidade na saga medieval. Fora da ficção, ele protagonizou outros muitos momentos espontâneos que encantaram a internet, como o vídeo viral em que sensualiza com um bastão de arco-íris.

Mesmo que não tenha se declarado exatamente como queerparte da comunidade LGBTQIA+, o “daddy” do momento tem ido além ao usar sua visibilidade para amplificar vozes que historicamente foram silenciadas, especialmente em tempos de retrocessos e perseguições à população trans.

A seguir, relembre 5 momentos que demonstram por que Pascal se tornou um grande aliado e ícone da comunidade LGBTQIA+ na cultura pop.

O carinho por Bella Ramsey 

Estrela ao lado de Pascal em The Last of Us”, Bella Ramsey se identificou publicamente como não-binárie em 2023. Desde então, elu tem falado abertamente sobre o acolhimento recebido por parte do colega de elenco. Em entrevista à Them, declarou: “Ele é alguém com quem eu converso sobre esse tipo de coisa. Tem sido tão gentil, generoso e solidário. É um verdadeiro defensor da comunidade LGBTQIA+”. Segundo Ramsey, os dois mantiveram conversas sinceras sobre identidade e sexualidade durante as filmagens.

Pedro, por sua vez, respondeu à altura. Ao ser questionado sobre o tema, afirmou: “É moralmente corrupto perseguir alguém por ser quem realmente é, por fazer com que alguém se sinta inferior por ter a coragem de viver uma vida verdadeira”.

Bella Ramsey e Pedro Pascal nos bastidores da série "The Last of Us" (Foto: Instagram/Reprodução)
Bella Ramsey e Pedro Pascal nos bastidores da série “The Last of Us” (Foto: Instagram/Reprodução)

O apoio à irmã Lux Pascal

Em 2021, Lux Pascal — atriz e irmã caçula de Pascal — tornou pública sua identidade como mulher trans. A revelação foi feita inicialmente ao irmão, durante uma chamada de vídeo por FaceTime. A reação imediata de Pedro foi perguntar como ela se sentia. Ao ouvir que ela estava feliz, o ator celebrou a notícia com entusiasmo: “Perfeito, isso é incrível”.

Mais do que apoio fraternal, o gesto representa a base do vínculo afetuoso entre os dois. Em entrevistas recentes, Lux deixou claro que o carinho do irmão vai além do privado. “O que o torna tão fabuloso é que ele carrega toda a sua humanidade à flor da pele e não esconde quem é. Acho isso revigorante, porque normalmente a gente anda pelo mundo escondendo quem é. Essa é a principal lição que aprendi com ele: não há motivo para eu esconder quem sou, certo? E acho que as pessoas estão percebendo isso”, disse ao The Hollywood Reporter.

Pascal e a irmã caçula Lux (Foto: Instagram/Reprodução)
Pascal e a irmã caçula Lux (Foto: Instagram/Reprodução)

Protect the Dolls

Pascal também usou a moda como forma de protesto político e aliado da causa trans. O ator foi uma das celebridades que vestiu a camiseta Protect the Dolls, criada pelo estilista Conner Ives. A peça, adotada também por nomes como Troye Sivan e Addison Rae, tornou-se símbolo de resistência contra legislações anti-trans nos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump.

A estilista de Pascal, Julie Ragolia, explicou à Esquire o simbolismo do look: “As roupas têm a capacidade de dizer coisas sobre o nosso mundo. Estou muito feliz que Pedro e tantos outros estejam usando a camiseta como um outdoor para expressar algo que jamais deveria precisar ser dito: direitos trans são direitos humanos”.

Além da mensagem, a camiseta também tem um impacto concreto: as vendas arrecadam fundos para a Trans Lifeline, organização norte-americana que oferece suporte emocional e financeiro à população trans em situação de vulnerabilidade.

Troye Sivan, Pedro Pascal, Tate McRae e Addison Rae com a camiseta "Protect the Dolls" (Foto: Reprodução)
Troye Sivan, Pedro Pascal, Tate McRae e Addison Rae com a camiseta “Protect the Dolls” (Foto: Reprodução)

A presença online de Pedro Pascal

Pedro Pascal tem usado com frequência suas redes sociais como plataforma de ativismo. Em fevereiro deste ano, publicou uma imagem com a frase: “Um mundo sem pessoas trans nunca existiu e nunca existirá”. Na legenda, reforçou seu posicionamento: “Não consigo pensar em nada mais vil, mesquinho e patético do que aterrorizar a menor e mais vulnerável comunidade de pessoas que não quer nada de você, exceto o direito de existir”.

Mais tarde, curtiu uma postagem que pedia o boicote a obras da franquia Harry Potter, por conta das diversas declarações transfóbicas de J. K. Rowling. Nos comentários, foi direto em sua opinião sobre as ações da autora: “Merda horrível e nojenta. Um comportamento abominável de perdedora”.

 

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Aversão à masculinidade tóxica, consciência política e militância LGBT+

Mais do que falas em apoio a comunidade LGBTQIA+, Pedro Pascal também desafia padrões de gênero ao apresentar uma masculinidade livre de estereótipos. Seu jeito sensível e sua consciência pol´ítica têm sido exaltadas como contrapontos importantes à masculinidade tóxica que ainda impera em boa parte da sociedade.

Em 2020, o ator apoiou publicamente manifestações femininas no México contra o feminicídio, mostrando solidariedade ativa às lutas por justiça de gênero. Sua amizade com Oscar Isaac, repleta de carinho e respeito mútuo, viralizou nas redes por representar uma forma saudável de afeto entre homens.

Oscar Isaac e Pedro Pascal estão redefinindo a masculinidade (Foto: Instagram/Reprodução)
Oscar Isaac e Pedro Pascal estão redefinindo a masculinidade (Foto: Instagram/Reprodução)

Ao estrelar o curta Strange Way of Life, resposta de Pedro Almodóvar a O Segredo de Brokeback Mountain, Pascal celebrou a oportunidade de trabalhar com um dos grandes diretores do cinema queer ao interpretar um personagem homossexual em cenas ousadas. “Poderia ter sido qualquer coisa que ele me pedisse para fazer, e eu teria feito sem questionar. Ele [Almodóvar] absolutamente abriu um mundo inteiro de narrativa, cor, cultura, rebelião e sexualidade que era absolutamente inebriante, perigoso, hilário e comovente”, disse.

Já no Festival de Cannes deste ano, sua fala sobre imigração também revelou sua consciência social mais ampla: “Quero que as pessoas estejam seguras e protegidas — e quero muito estar do lado certo da história. Sou um imigrante. Meus pais são refugiados do Chile. Eu mesmo fui um refugiado”, declarou.

Pascal também é uma das poucas celebridades de Hollywood a condenar abertamente o genocídio em Gaza. Em maio, durante sua passagem por Cannes, ele assinou uma petição, ao lado de nomes como Joaquin Phoenix, Juliette Binoche e Guillermo Del Toro, condenando o genocídio praticado por Israel.

“A extrema-direita, o fascismo, o colonialismo, os movimentos anti-trans e anti-LGBTQIA+, sexistas, racistas, islamofóbicos e antissemitas estão travando sua batalha no campo das ideias, atacando a publicação, o cinema e as universidades — e é por isso que temos o dever de lutar. Vamos rejeitar a propaganda que constantemente coloniza nossa imaginação e nos faz perder o senso de humanidade”, afirma o manifesto.